O gênio é, quase sempre, um homem difícil de lidar. Um mergulho nos bastidores de quem transformou a raiva em arte.
No contexto de Homens Difíceis, o homem bravo não é apenas alguém irritado; é alguém que usa a agressividade como uma ferramenta de poder, domínio ou sobrevivência. Os pontos altos vem com um homem xingando alguém com uma eloquência brutal que funciona como uma válvula de escape. Gostamos de ver o "homem difícil" porque ele ignora as regras sociais que nós somos obrigados a seguir com a tensão do Imprevisível. O prazer de ver esses homens contracenando está no perigo iminente. Você nunca sabe se o diálogo vai terminar em um abraço ou em um soco na mesa ou na cara de um deles. O livro explora como os showrunners (como David Chase) usavam essa instabilidade para manter o público grudado na cadeira. A "braveza" cria uma eletricidade que o personagem "bonzinho" simplesmente não consegue gerar e esses homens são "difíceis" porque estão em conflito com o mundo moderno. A raiva deles é, no fundo, uma reação ao sentimento de estarem perdendo o controle sobre suas vidas, famílias ou legados. Ver essa luta interna explodir em gritos e comandos é o que torna o drama tão humano e visceral.
Eu gostaria de ter visto mais sobre a série Breaking bad, que na visão do Brett Martin, não foram homens tão difíceis assim, pois o ponto alto do livro, focou na relação de James Gandolfini com Tony Soprano. O livro narra como ele sumia do set ou chegava exausto porque a carga emocional de viver um sociopata o destruía. Falou de Don draper de Mad Men como alguém que está sempre fora do ambiente, mesmo quando está no centro dele e livro e sobre a série The Wire, o autor destaca que, enquanto outras séries focam no indivíduo, The Wire foca no fracasso das instituições.
Recomendo a leitura pra quem gosta de saber sobre os bastidores de grandes séries e filmes e adianto que o autor divaga demais em um determinado assunto, no que leva um capítulo com mais de uma hora. O cara se empolgava nos detalhes.