
Embora tenha sido autora de livros de prosa, coleções de poemas e roteiros, Mercedes de Acosta raramente é lembrada por sua escrita. Em vez disso, é celebrada como uma amante apaixonada que teve casos com algumas das mulheres mais intrigantes e belas de sua época. Dizem que De Acosta frequentemente se gabava de sua habilidade como amante, chegando a declarar: "Posso conquistar qualquer mulher de qualquer homem." Sua lista de amantes é extensa, incluindo Eva Le Gallienne, Isadora Duncan, Marlene Dietrich e, mais notoriamente, Greta Garbo. Filha de imigrantes cubanos abastados, De Acosta cresceu em Nova York, onde, na década de 1920, fazia parte tanto da "alta sociedade" da cidade quanto dos clubes de drag e bares clandestinos. "Esses foram anos guiados pelo espírito do Novo", escreveu sobre esse período; "Estávamos incendiados pelo fogo, com uma paixão pela criação e uma ousadia para conquistar." Visionária para sua época, De Acosta era estudante de religiões orientais e vegetariana estrita. Como feminista precoce, defendia, junto com sua amiga e amante, a dançarina Isadora Duncan, a eliminação de roupas desconfortáveis e restritivas para mulheres; enquanto outras apertavam-se em espartilhos, De Acosta frequentemente usava calças. Quando convenceu Garbo a visitar seu alfaiate e também encomendar um par, as duas causaram um grande alvoroço na Hollywood Boulevard. "Garbo de calças!", exclamavam as manchetes. "Considerando o que caminha pela Hollywood Boulevard agora", escreveu De Acosta em 1960, "parece estranho que Greta e eu tenhamos causado tamanha sensação." Após uma vida cercada de fama, glamour e riqueza, Mercedes de Acosta passou seus últimos anos na solidão e na pobreza. Sofreu várias doenças na velhice, necessitando de diversas cirurgias dolorosas, e foi forçada a vender suas joias para pagar despesas médicas. Sua autobiografia reveladora de 1960, Here Lies the Heart, afastou muitos dos amigos de De Acosta. Alguns alegaram que o livro era exagerado e até mesmo flagrantemente falso.