Nascido homem livre, Solomon Northup cresceu em uma pequena cidade de Nova York, nos EUA do século XIX, quando o país ainda era dividido entre uma região norte abolicionista e o sul escravagista. Nesse sentido, em 1841, com cerca de 30 anos de idade e uma família já construída, Northup, ao partir para Washington em busca de uma enganosa proposta de emprego, acaba por ser sequestrado e vendido como escravo. A partir disso, o escritor passa doze longos anos em uma vida miserável e assustadora sendo tratado como mero objeto. Publicado pela primeira vez em 1853 e escrito pelo próprio Solomon, Doze anos de escravidão é um marco na literatura norte-americana, trazendo um retrato cruel e profundo da vivência e dos dramas de um escravo na época escravagista dos EUA.
De início, com a característica de ser um relato íntimo dos anos vividos como escravo, o livro segue os principais acontecimentos durante o tempo de servidão de Solomon. Nesse contexto, de forma profunda e emocionante, sem, contudo, pesar a leitura em nenhum momento, a obra consegue imergir o leitor em uma assustadora realidade, a qual envolve abusos físicos e morais incessantes aos escravos. Como consequência, o livro se demonstra como uma singular apresentação dos assombros vivenciados nos tempos da escravidão, servindo muito bem como uma leitura de teor tanto histórico, o qual mostra as minucias da cultura escravagista, quanto filosófico, com a capacidade de influenciar fortemente a forma de pensar e viver de qualquer um que chegue a lê-lo.
Com uma sinceridade comovente, Solomon consegue expressar uma gama inimaginável de emoções e verdades por meio de uma escrita fluída e imersiva, a qual torna explícita uma das maiores atrocidades já praticadas pela cultura humana. Doze anos de escravidão é um livro único e extraordinário, vale a pena a leitura.
Nota: 9,7
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