A HQ “Revolta!” é escrita e desenhada pelo quadrinista André Caliman. Começou como uma série em capítulos, publicada mensalmente no blog revoltahq.blogspot.com.br. A HQ explora o tema da corrupção, colocando alguns personagens tipicamente curitibanos à frente de uma revolta popular regida pela indignação. O lançamento acontece na Gibiteca de Curitiba.
" (...) De que adianta ficar só de blábláblá?"
A HQ conta a história de um grupo de amigos que, assim como o resto da população, estão cansados de tanta sujeira e corrupção no governo. Acabam encontrando um mascarado misterioso (que, horas antes, havia matado o governador - mas, ferido, acaba morrendo) que os leva para seu esconderijo, onde encontram armas e dossiês virtuais, com as fichas de vários políticos envolvidos em escândalos, informando como e onde executar cada um deles. Decidem, então, dar continuidade ao plano, mas, no processo, acabam se perdendo em seus ideais e entrando em conflito, enquanto seus atos fazem surgir no espaço público uma série de debates sobre esses assassinatos e sobre as revoltas/manifestações que aparecem e ganham força. A ideia, em si, é muito interessante, principalmente porque punir severamente os políticos corruptos é uma vontade praticamente geral - e a justiça com as próprias mãos parece mais eficiente do que a justiça tradicional, morosa e manipulável pelos poderosos. Além disso, tanto a corrupção quanto as manifestações de insatisfação são temas muito atuais, e o livro explora os temas com uma verossimilhança tremenda. Acredito que a primeira coisa que tenha me chamado a atenção foi a utilização de Curitiba como plano de fundo da história. A cidade foi bem utilizada, vários lugares e bairros foram retratados. É um diferencial bacana. O autor também retrata muito bem (apesar de não ser o foco o livro) a forma com que a mídia trabalha ao acompanhar casos de revoltas. Ele também mostra o posicionamento de uma socióloga, do jornalista, do filósofo e do povo - cada um enxergando os fatos de uma forma. Os estudantes, os policiais, os políticos, todos são retratados - e isso tudo contribui para enriquecer a história. As ilustrações são bem feitas e os personagens são realistas (vale destacar que os personagens são humanos - apesar de terem o apoio de grande parte da população, não são heróis; suas ações são erradas e eles estão cientes disso). O desenrolar da história é muito bom, a tensão é crescente. Vale a leitura!
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