Da infinitude de olhares
Me vi buscando um livro que me trouxesse pra realidade, de uma maneira diferente a que estou acostumada através de artigos científicos e programas de notícia. Queria ler sobre o amor e a mente me levou ao Fernando Pessoa, acabei não encontrei seu livro nas estantes da biblioteca, mas encontrei esse. Uma edição de 1967, a capa com partes faltando e a costura soltando, todas as vezes que o peguei para ler pensei em quantas pessoas não passaram por ele, na ficha de devolução a data mais antiga é de 1971. Não consigo deixar de me perguntar se alguém chorou, se identificou, dedicou alguma crônica para alguém ou lembrou de alguém. Fui atrás do amor, mas não sei bem o que queria ler sobre essa abstracidade. Li sobre a penúria de uma vida com poucas condições materiais, criança descobrindo a racionalidade humana juntamente da patecidade, as diferentes formas de encarar o luto e um singelo cãozinho.

