Nunca havia lido biografias e nenhuma havia despertado minha vontade até encontrar “A Donzela e a Rainha” na livraria.
A capa é muito bonita e quando vi que abordava a trajetória de Joana D’arc fiquei curiosa. A oportunidade de descobrir o motivo pelo qual uma camponesa marcou tanto a história e continua tão conhecida até hoje não podia ser desperdiçada.
O livro é dividido em três partes: Antes de Joana, Joana D’arc e Depois de Joana. Que ela foi queimada na fogueira pela Inquisição todos que conhecem o mínimo de história sabem. Mas o que levou a isso? Com o livro somos capazes de enxergar a teia emaranhada de intrigas políticas e os interesses de pessoas que nunca ouvimos falar mas que foram decisivas.
A personalidade de Joana é encantadora, difícil não se cativar com sua fé inabalável e coragem. Sua trajetória é peculiar e impressiona.
O livro também nos apresenta outra personagem, mas essa esquecida pelos livros de história, ou então mencionada apenas em rodapés: Iolanda de Aragão. Diferentemente de Joana que era uma camponesa e se tornou guerreira, Iolanda nos mostra outro tipo de luta: a política. Em uma época na qual os holofotes se direcionavam aos homens, a Rainha da Sicília Iolanda mostra que uma mulher também pode ser inteligente e astuta.
Também conhecemos outros personagens históricos, entendemos situações e desconstruímos estereótipos e conceitos. Vemos que um rei pode ter distúrbio mental, um nobre e cavaleiro nem sempre é corajoso e muitas pessoas não tem nenhuma vocação e perfil para a posição que ocupam, mas a posição é determinada pelo nascimento e elas não têm opção.
Para se aventurar nesse livro é preciso gostar muito de história, afinal não é ficção e a leitura pode parecer arrastada para quem não curte muito o estilo. Além disso, é preciso ler com calma e atenção para compreender bem tantas informações, detalhes e as constantes intrigas.