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    80 Anos de Poesia - Mario Quintana

    Mario Quintana

    Editora Globo
    2008
    207 páginas
    6h 54m
    ISBN-13: 9788525045423
    Português Brasileiro
    4.2
    17 avaliações
    Leram30Lendo2Querem24Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos1Desejados24Avaliaram17

    A coletânea 80 anos de poesia, é uma antologia publicada pela Editora Globo para homenagear os 80 anos de vida de Mário Quintana. Com organização de Tânia Franco Carvalhal, a obra contém poemas que mostram as várias facetas do poeta. Apresentados em ordem cronológica, eles atestam a procura de diferentes maneiras de dizer e indicam como o poeta vai optando por uma expressão próxima do coloquialismo, vizinha da prosa. Isto permite ao leitor uma visão geral do percurso poético de Quintana, mestre em estabelecer uma comunicação imediata e efetiva com quem o lê: ao dizer o humano em suas múltiplas facetas, ele fala a todos nós. São poesias pertencentes ao Segundo Tempo Modernista (1930-1945), onde aparecem temas constantes de suas obras como a infância (que é tratada com certo lirismo), os meninos, as ruas de Porto Alegre e a velhice. Suas poesias, aparentemente simples, trazem a complexidade de quem viveu intensamente o sentimento de mundo. A vasta percepção possibilita uma engenharia sólida no que toca à compreensão da natureza humana. Convicto com relação à sua capacidade criadora, manteve-se distante dos modismos literários, cultuando forte independência com relação a qualquer tipo de classificação que viesse a rotulá-lo, ou à sua obra. Esse individualismo creditou-lhe um orgulho persistente, haja visto a sua autenticidade, instigando-lhe a dividir grandes lições de vida com o leitor que vier a prestigiá-lo. Fere de leve a frase... E esquece... Nada Convém que se repita... Só em linguagem amorosa agrada A mesma coisa cem mil vezes dita. O interessante com relação à obra de Quintana é a sua natureza múltipla. Apesar da postura crítica e da ironia refinada, há uma ternura explícita coexistindo, assim como uma envolvente honestidade conceitual. Ainda que Mário Quintana inicie muitos de seus versos com uma fina ironia, a densidade de suas questões não permite ocultar que fazer poesia é refugiar-se do incômodo existencial e filosófico que sua extrema sensibilidade insiste em sacudir. Da primeira vez em que me assassinaram Perdi um jeito de sorrir que eu tinha... Depois, de cada vez que me mataram, Foram levando qualquer coisa minha... A postura encontrada diante da compreensão da morte, da religião ou da existência divina não deixa dúvidas quanto ao recurso da poesia como uma tentativa de apaziguamento com a ausência de respostas de um ser humano intenso, comprometido e intrigado com a grandeza da vida. Apesar disso, ele luta bravamente para não se considerar diminuído por ela.

    Resenhas (3)Ver mais
    Anderson Theodoro picture
    Anderson Theodoro13/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Poesias eternas

    Uma das minhas primeiras degustações de poesia. Unforgetable.

    5 curtidas

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    Mario de Miranda Quintana profile picture

    Mario de Miranda Quintana

    Mario Quintana fez as primeiras letras em sua cidade natal, mudando-se em 1919 para Porto Alegre, onde estudou no Colégio Militar, publicando ali suas primeiras produções literárias. Trabalhou para a Editora Globo, quando esta ainda era uma instituição eminentemente gaúcha, e depois na farmácia paterna. Considerado o "poeta das coisas simples", com um estilo marcado pela ironia, pela profundidade e pela perfeição técnica, ele trabalhou como jornalista quase toda a sua vida. Traduziu mais de cento e trinta obras da literatura universal, entre elas Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust, Mrs Dalloway de Virginia Woolf, e Palavras e Sangue, de Giovanni Papini.

    76 Livros
    1.043 Seguidores
    Porto Alegre, Brasil

    Mario de Miranda Quintana