Conheci Huxley provavelmente como quase todo mundo, por Admirável Mundo Novo. Desde então, a cada livro dele, me pego no meio de uma frase pensando "nossa, esse é o melhor de todos dele!". No caso de "Também o cisne morre", foram muitas, mas muitas mesmo, as vezes que eu me peguei pensando isso.
Não sou uma conhecedora profunda do cara, esse foi o quarto livro que eu li dele, mas acho que o que me cativou foi a nítida impressão de que, mesmo sendo uma ficção, é um livro muito, absurdamente, pessoal.
Delicioso entender como o autor se sentiu nos primeiros anos após trocar a Europa peles EUA, além de vê-lo discorrer sobre estética, meditação (embora ele não use esse termo explicitamente), protagonismo social, modernidade, tempo, dever, liberdade e até permacultura (!), afinal, não é à toa que o cara é conhecido como visionário.
Sem contar o humor fino e afiadíssimo dele. Impagável um trecho em que um dos personagens, feliz da vida em encontrar uma edição dos 120 Dias de Sodoma, pensa consigo mesmo que mulher nenhuma é melhor do que uma obra pornográfica setecentista.... muito, muito muuuuuuito nerd, quase morri de dar risada.
Enfim, a trama em si acaba ocupando um segundo plano. O que lhe dá força e graça são as reflexões, divagações e associações que ele suscita, nem sempre palatáveis de primeira, às vezes exigindo um estofo histórico-cultural um pouquinho além do medíocre.
Ah, um aviso: a resenha que está na lateral do livro (nesta edição mais recente de 2002) já é um spoiler em si mesmo, uma vez que ela simplesmente conta o que vai acontecer nas últimas páginas da história (mais uma prova de que a ação, apesar de ótima, não é o melhor item da obra).