Resenha - Fundamentos teóricos da língua portuguesa
Lígia Regina Klein é Doutora e Mestre em Educação, História e Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ela apresenta ideias de ensino e alfabetização, dispostos em seus livros metodológicos. O livro aqui resenhado é originado de estudos anteriormente elaborados por Lígia, juntamente com outros especialistas na área da Educação, a fim de auxiliar os professores a criar suas próprias habilidades de avaliação no ambiente escolar. O livro é constituído por uma sucinta apresentação, quinze capítulos, referências de autores e textos. Ao final de cada capítulo, estão inseridas atividades e sugestões de estudos mais complexos e objetivos. Ao apresentar suas concepções, a autora resume o ensino da língua portuguesa: a união entre o magistério e a língua materna. Nos três primeiros capítulos, são abordadas as concepções de linguagem, pensamento e ideologia. As concepções apresentadas consideram a linguagem um fenômeno natural, mas que, por outro lado, pode ser vista como um produto social, criada apenas a partir da necessidade de comunicação entre os seres humanos. Nesse sentido, a língua verbal tem um desempenho fundamental na produção da consciência, ou seja, a comunicação e troca de informações entre as pessoas, contribuem para análises e pensamentos. Uma ideologia é formada através da linguagem, portanto, as atividades de interpretação dos discursos produzirão melhor entendimento do conteúdo ideológico dos textos. Os três capítulos seguintes esclarecem alguns conceitos fundamentais sobre a linguagem, a língua, a fala, o discurso e o texto, destacando as funções da linguagem e o texto como elemento articulador da prática pedagógica. Sabe-se que a língua é o conjunto de signos partilhados pelos indivíduos de uma comunidade e a fala é o uso particular e criativo da língua de cada comunidade. A comunicação entre os indivíduos de uma sociedade, realiza-se através de mensagens, neste caso uma mensagem “pode servir para exprimir sentimentos, emoções, desejos; para transmitir um conteúdo intelectual; para conquistar ou hostilizar pessoas; para ordenar ou, até mesmo, para quebrar um silêncio” (p.60). É importante implantar a prática de produção de texto nas escolas, uma vez que este é uma totalidade articulada, ao invés de induzir os alunos a produzirem “pseudotextos” com frases isoladas, que não compõem uma totalidade. Os cinco capítulos seguintes examinam as determinações sociais na produção do texto, quais são os tipos de texto e os recursos de estrutura e organização necessários para a produção de sentido. Num discurso, o falante traz uma forma específica de se expressar, segundo a sua realidade e experiências de vida, trata-se então de uma variante linguística. Portanto, é necessário elaborar práticas diversificadas de ensino, de modo a enriquecer a cultura do aluno ao produzir textos, que poderão ser narrativos, descritivos ou dissertativos. Um bom texto deve ser coeso, coerente, seguindo a ordem de introdução, desenvolvimento e conclusão. Nos capítulos finais, a autora expressa o aprendizado da norma-padrão como uma necessidade concreta dos alunos, não justificando atitudes preconceituosas do educador em relação ao aluno que pratica outra variedade linguística. Retoma também, a importância da diversidade nas atividades educativas com intuito de incentivar o entendimento de textos parafraseados ou parodiados, por exemplo. Ao final dessa resenha, fica claro que um bom desenvolvimento do ensino da língua portuguesa está relacionado às atividades de leitura e interpretação, produção de textos orais e escritos e análise linguística. O trabalho com o texto não exige a memorização de regras e fórmulas, portanto visa tornar menos cansativo a realização das práticas de ensino. O objetivo principal é a produção de leitores e escritores competentes, capazes de dizer o que realmente pensam e sentem.
