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    Abrir a Porta - A importância do afecto e da sociabilidade na nossa vida

    John T. Cacioppo, Willam Patrick

    Estrela Polar
    2009
    312 páginas
    10h 24m
    ISBN-13: 9789898206336
    Português Brasileiro
    4.2
    30 avaliações
    Leram36Lendo12Querem83Relendo0Abandonos7Resenhas5
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    E se a solidão for um problema mais grave do que alguma vez suspeitámos? Baseado na pesquisa de John T. Cacioppo, "Abrir a Porta" explora os efeitos desta vivência tão humana e proporciona uma visão fundamentalmente nova da importância das ligações sociais e do modo como elas nos podem salvar de um isolamento doloroso. Os seus estudos sofisticados, baseados em imagiologia cerebral, análises de pressão arterial, reacções imunológicas, hormonas de stresse, comportamentos e expressão genética, revelam que os seres humanos são muito mais interdependentes e interligados, tanto fisiológica como psicologicamente, do que os nossos pressupostos culturais nos permitiram reconhecer. As conclusões de Cacioppo também demonstram que a solidão prolongada pode ser tão prejudicial à saúde como o tabaco ou a obesidade e transformam-se numa mensagem urgente. Por outro lado, também comprovam o poder terapêutico dos relacionamentos sociais e apontam para a acessibilidade geral desse bálsamo curativo. Em última análise, este livro demonstra a irracionalidade da intensa focalização da nossa cultura na competição e no individualismo, em detrimento da família e da comunidade. Defende que a unidade de "um" é, na verdade, desajustada, mesmo quando se refere à saúde e bem-estar do indivíduo.

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    Emílio de Freitas picture
    Emílio de Freitas17/05/2025Resenhou um livro
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    Quando a ciência esquece de escutar o silêncio interior

    Publicado em 2008, Solidão: A Natureza e a Necessidade de Vínculo Social, do neurocientista John T. Cacioppo, propõe-se a investigar os efeitos neuropsicológicos e sociais do isolamento humano. No entanto, a experiência da leitura me conduziu a uma constatação incômoda: ou o mundo à época era outro — ou talvez, era eu quem habitava outro mundo. Ao longo de quase 300 páginas, o termo “solitude” simplesmente não aparece. Essa ausência, embora técnica, tornou-se simbólica. Afinal, como discorrer tão amplamente sobre o estar só sem reconhecer a existência daquele que escolhe a companhia do silêncio? O livro se pauta por uma abordagem essencialmente antropológica e neurocientífica, mas deixa de lado o componente existencial — aquele que, para muitos de nós, transforma a solidão em introspecção, e a introspecção em crescimento. A obra, embora minuciosa em sua pesquisa e instigante em seus dados, envereda-se por um viés quase patológico do isolamento. A solidão, aqui, é tratada predominantemente como uma condição a ser combatida, um sintoma de falência social, uma ferida aberta em busca de cura. E, embora compreenda e respeite esse olhar, não pude deixar de me sentir deslocado ao longo da leitura — pois minha relação com a solidão é outra: madura, voluntária, e, em certa medida, afetuosa. Ao invés de me afastar dela, abracei-a. Encontrei na ausência de ruído social uma forma de refúgio, de autoencontro. Pergunto-me, então: será que “solitude” não passa de um eufemismo romântico para uma solidão resignada? Ou, ao contrário, será que a ausência de “solitude” no texto não revela um reducionismo conceitual que ignora a pluralidade do estar só? O livro reforça a tese de que o ser humano é biologicamente moldado para o vínculo, e que o afastamento prolongado destes laços resulta em sofrimento psíquico e físico. E, sem dúvida, há verdade nesse argumento. Mas senti falta do contraponto: da dignidade de quem, por contingência ou escolha, caminha só e encontra beleza nesse percurso. A obra parece operar com uma única lente, incapaz de captar as nuances do silêncio que não fere, mas acolhe. Ao longo do tempo, vínculos se dissolvem: amigos seguem rumos diversos, relacionamentos encerram ciclos, familiares se tornam distantes. A impermanência é parte do tecido da existência. Mas isso não deve ser encarado, necessariamente, como uma tragédia. A solitude — essa companheira muitas vezes desprezada — pode ser um terreno fértil para o amadurecimento emocional, desde que não confundida com abandono. Por fim, Solidão é um livro tecnicamente competente, mas conceitualmente limitado. Em minha leitura, envelheceu mal. Repete-se em argumentos, evita zonas cinzentas e parece pouco interessado em propor caminhos de reconciliação do indivíduo consigo mesmo. A ausência de um olhar mais filosófico ou mesmo poético torna sua abordagem árida, e para quem, como eu, aprendeu a fazer da solidão um abrigo — e não uma sentença — a leitura soou frustrante. Nota: 5,8

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