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    As Bruxas: noivas de Satã -

    Jean-Michel Sallmann

    Objetiva
    2002
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-10: 8573023546
    Português Brasileiro
    3.6
    36 avaliações
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    Para além do mito, Jean-Michel Salmann disseca historicamente a bruxaria — dos primeiros processos às figuras que povoaram o imaginário romântico O ano de 1692 marcou em definitivo a história da cidade de Salem, no estado americano de Massachusetts. Formados pelos rígidos padrões puritanos, moradores do vilarejo entraram em estado de histeria coletiva depois que quatro crianças, dominadas pelo medo e pela fantasia, começam a acusar aleatoriamente de bruxaria cidadãos inocentes. Instauraram-se inquéritos. O resultado: 12 executados, uma vintena de torturados e dois cachorros enforcados. A história das bruxas de Salem ficou mundialmente conhecida através do teatro e do cinema. E repete uma prática muito comum a partir do século XV, quando a Igreja iniciou a sua caça às feiticeiras. Mas por que elas foram perseguidas? O que é ser uma bruxa, de onde vieram, como são as práticas de bruxaria e quais eram as bases dos processos que as levavam à fogueira? Em AS BRUXAS — Noivas de Satã, Jean-Michel Sallmann analisa o modo de representação que foi a bruxaria, dos primeiros processos às figuras que povoam o imaginário romântico. A obra integra a coleção Descobertas e é fartamente ilustrada, obedecendo aos padrões de qualidade de texto e imagem que norteiam a série. A história aponta o ano de 1420, na fronteira alpina entre a França e a Suíça, como o ponto de partida para a perseguição às "noivas de Satã". Uma prática que se espalhou pelo mundo cristão e que se transformou em mito por força da máquina judiciária da Inquisição, reforçada pela bula de Inocêncio VIII. Em 1484, o papa ampliou os poderes dos Inquisidores. Foi a primeira vez que a Igreja legislou sobre bruxaria. Graças ao desenvolvimento da imprensa, os tratados de demonologia se multiplicaram pela Europa e as acusações de bruxaria, idem. Desde o início do século XV e durante os dois séculos seguintes, milhares de bruxas foram perseguidas, denunciadas, torturadas, antes de serem lançadas às chamas. O livro traz, ainda, relatos históricos de situações banais do cotidiano que originaram processos da Inquisição, muitas vezes por obscuros tribunais rurais, provando que o caminho que leva do boato à fogueira é tão inelutável quanto absurdo. Jean-Michel Sallmann é professor de história moderna na Université de Paris X-Nanterre. Suas pesquisas concentram-se na história cultural e religiosa da Itália moderna. É autor de um estudo sobre a magia no século XVI, através do processo da Inquisição, que resultou no livro Chercheurs de trésors et jeteuses de sorts: la quête du surnaturel à Naples au XVIème siècle, de 1988.

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    SALLY  BARROSO  picture
    SALLY BARROSO 29/03/2013Resenhou um livro
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    As bruxas noivas de Satã

    O livro começa com um texto de Jules Michelet que finda da seguinte forma: "De uma espécie diferente, sai Satã do seio ardente da Bruxa, vivo, armado e pronto para atacar, Por mais medo que sintamos, temos de confessar que, sem ele, morreríamos de tédio". Para o autor/historiador, as crenças em bruxaria, foram à sua maneira, resposta às angústias religiosas da época. A crença que alguém poderia prejudicar outro (principalmente judeus), foi uma maneira de explicar os infortúnios que afligiam com tanta frequência populações fragéis. Há no livro muitas figuras (obras de arte) da época para figurar os mitos demoníacos surgidos no contexto religioso dos séculos XV-XVI. A bruxaria é uma invenção do século XV, à qual o procedimento inquisitorial confere uma estruturação orgânica. Uma das características do período, foi a promoção da imagem de Satã, poderoso e onipresente, ao qual eram imputados todos os infortúnios da época. (Qualquer semelhança com a religião contemporânea ocidental, não é mera coincidência). Utilizando do livro que foi manual básico de caça às bruxas,(Martelo das Bruxas Henry Institoris e Jacques Sprenger), os tribunais laicos perseguiram, investigaram, interrogaram, torturaram e condenaram todos os suspeitos de bruxaria. Principalmente mulheres anciãs das comunidades camponesas que conheciam muito bem o segredo das plantas. Claro, que a crença em bruxaria cresceu em grande parte devido às insuficiências da medicina e do uso da imprensa. A partir do século XVI começou um tímido protesto contra a demonologia. Vários médicos tiveram à frente do combate à repressão. A opinião pública, principalmente a francesa, a dos magistrados e elites sociais, evoluiu progressivamente no séc XVII. Foi sob sua pressão que a grande caça aos bruxos teve fim. Na sociedade do Antigo Regime, a possessão diabólica era a expressão culturalmente codificada do que os psiquiatras do fim do século XIX descreveram como histeria. Os relatos que levavam à fogueira eram inelutáveis e absurdos. De forma geral, sempre era uma mulher de "má reputação" ou conhecedora do poderio das ervas medicinais que cedo ou tarde falava algo que a condenava. O seu pânico considerado de psicose, envolvia todo o vilarejo e a máquina judiciária. Assim eram as histórias banais, comuns até o final do século XVII, que como tantas outras, acabou em chamas. Em meados do final do século VXII que vozes clamaram pela razão e pouco a pouco, as últimas fogueiras foram extintas. O autor analisa como historiador, de forma objetiva, o modo de representação que foi a bruxaria, dos primeiros processos às figuras que povoaram o imaginário romântico. INDICO para os interessados no assunto.

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    Jean-Michel Sallmann

    Professor de História Moderna da Universidade de Paris X, antigo membro da École française de Rome, estuda os fenômenos de bruxaria dos séculos XVI e XVII.

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    Norte-Passo de Calais-Picardia, França

    Jean-Michel Sallmann