Bonjour Anges!
"O carioca é folgado. O paulista é arrogante e não sabe aproveitar a vida. O mineiro é desconfiado. O gaúcho gostaria de viver num país à parte. O baiano é preguiçoso. O corintiano e o flamenguista são bandidos pobres e iletrados. O são-paulino é um playboy com tendências homossexuais. Os povos do Oriente Médio são negociantes imbatíveis. O argentino é um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês. O italiano é um ótimo amante. O espanhol tem sangue quente. O inglês sempre chega na hora. O português toma tudo ao pé da letra. O brasileiro não sabe respeitar regras, leis e normas de conduta. O swinger é um depravado. Generalizações como essas são fruto de preconceito e ignorância." – Página 48.
E é justamente tentando combater esses preconceitos que o jornalista Marcos Nogueira nos apresenta ao mundo "colorido", desmistificando muitos mitos e julgamentos errôneos que os P&B (Preto e Branco - pessoas adeptas da monogamia convencional)acabam cometendo. Comecei a leitura com um pé atrás, pela sinopse tive medo do tema ser explorado como se fosse uma biografia, gênero do qual não curto, mas acabei me deparando com um texto jornalístico envolvente e que aborda um tema curioso e interessante de uma maneira inteligente.
Após uma noite, onde o jornalista esteve pela primeira vez para cobrir uma orgia luxuosa para a revista VIP, em 2009, uma festa organizada pela primeira vez no Brasil e promovida por Madame O, depois de ter sido trazida da Europa, onde já tinha sucesso, Marcos Nogueira se aprofundou no tema. Com anos em pesquisa e entrevistas com pessoas do meio, da compilação de todas as informações conseguidas nasceu esse livro.
Esse livro é mais do que uma reportagem grande o bastante para não ser dividida e postada e revistas ou jornais e por isso acabou se tornando livro. Esse livro está mais para um manual, uma apresentação do mundo swinger aos P&B que tem curiosidade e nem imaginam como ter contato com pessoas do meio.
Além de trazer jargões usados pelos swingers, o livro também descreve a história, desde o inicio na época da Segunda Guerra Mundial, nas bases militares, até se espalhar por todo o país e avançar até chegar ao Brasil. E também como esse estilo de vida foi aceito aqui, como seu inicio foi lento, mas sempre presente.
Não apenas de história foi construído esse livro, “A Sociedade Secreta do Sexo” fala também das casas de swing mais famosas do país, suas estruturas e formas de funcionamento, além de experiências passadas pelo próprio jornalista e outros casais que se dispuseram a contar um pouco sobre suas vidas como swingers.
E essa experiência não ficou limitada apenas ao território nacional. Marcos Nogueira foi até a França e relata as diferenças sobre o swing europeu e o brasileiro, mostrando um pouco mais do trabalho de Madame O.
As regras de conduta dessa pratica liberal não ficaram de fora dessa compilação de informações, chegando a ser algo até repetitivo no decorrer do texto, como se o autor quisesse ter absoluta certeza de que seu leitor absorveu bem essa regras, o que evitará transtornos e falta de etiqueta nesses ambientes.
Uma das partes que mais me chamou a atenção foi o fato de que o autor não é imparcial. A todo o momento ele cita que esse mundo não foi feito para todos, alertando sobre as implicações emocionais que há nessa pratica, dando até exemplos de situações negativas que outros casais passaram.
Uma janela a um mundo libertino, porém não bagunçado como muitos pensam. Um manual de etiqueta ou um simples texto curioso, “A Sociedade Secreta do Sexo” nos faz pensar em todos os conceitos sobre certo e errado no mundo do prazer. Uma viagem deliciosa por esse mundo discreto e que com certeza fará com que sua visão do mundo se torne um pouquinho mais colorida.