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    Eurico, o Presbítero (Clássicos Garnier) -

    Alexandre Herculano

    DIFEL / Difusão Européia do Livro
    1965
    259 páginas
    8h 38m
    ISBN-1: 0
    Português
    3.4
    789 avaliações
    Leram1645Lendo158Querem778Relendo2Abandonos127Resenhas50
    Favoritos2Desejados778Avaliaram789

    Romance histórico da autoria de Alexandre Herculano, publicado em fragmentos nas revistas O Panorama e Revista Universal Lisbonense, editado em volume em 1844. [Edição brasileira autorizada pela Livraria Bertrand de Lisboa: prefácio de Vitorino Nemésio, apêndices e notas de Maria Helena Lucas; vocabulário arabizado contido no livro pelo Prof. David Lopes. Cronologia do Reino Visigótico e glossário de nomes germânicos e outros toponímicos fornecido pela Enciclopédia Espasa-Calpe]. Tomando como cenário a época de dissolução moral e política do fim da monarquia visigótica na Península Ibérica, o autor aborda o problema ético-religioso do celibato, através da personagem central de Eurico — antigo gardingo na côrte do Rei Wítiza em Toledo — tornado presbítero da pobre paróquia de Cartéia por causa do amor impossível por Hermengarda (a nobre irmã de Pelágio/Pelayo), autor de hinos inspirados por Deus e pela Pátria. Quando a sua pátria e a sua religião se veem ameaçadas, Eurico repõe as vestes de guerreiro e transforma-se no Cavaleiro Negro, combatendo heroicamente os Sarracenos árabes e mouros. No fim, tendo reencontrado Hermengarda, mas ciente de que o seu amor é sacrílego, vai procurar a morte na batalha contra os invasores, enquanto a sua amada enlouquece entoando os versos do presbítero... Na figura extraordinária e original do protagonista, na expressão do pessimismo social, na idealização da mulher e da natureza. Na exaltação amorosa e patriótica, no ascetismo profético, a obra espelha bem a idiossincrasia romântica do seu autor. Eurico, o Presbítero, que o próprio Herculano considerou uma "crónica-poema, lenda ou o que quer que seja", apresenta-se eivada mais de efabulação poética do que propriamente romanesca, constituindo, assim, uma obra única do Romantismo português. |...| "O Monasticon é uma intuição quase profética do passado, às vezes intuição mais dificultosa que a do futuro. O período visigótico [na antiga Hispânia] deve ser para nós como os tempos homéricos na Península Ibérica -- eras que nas recordações da 'Espanha' tenho por análogas aos tempos heróicos da Grécia [impressão de majestade 'escultural' que conserva sempre a raça visigótica no seu calado sepulcro]. Nos cantos do presbítero tentei achar o pensamento e a côr que convêm a semelhante assunto, e em que cumpre predominem o estilo e formas da Bíblia e dos Eddas, as tradições cristãs e as tradições góticas que, partindo do Oriente e do Norte, vieram encontrar-se e completar-se, em relação à poesia da vida humana, no extremo Ocidente da Europa". Herculano imaginou a ação numa época de transição histórica, aplicando distintas formas literárias às diversas épocas: da Hispânia romano-gótica ao nascimento das sociedades modernas da Península, no terrível cadinho da conquista árabe. No plano da obra,'O Monge de Cister ou A Época de D. João I' — (O Monasticon, #2: Tomo II) deve seguir-se a 'Eurico'. [Prólogo e notas do autor, Ajuda -- Novembro de 1843].

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    Clio picture
    Clio06/01/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Um romance de cavalaria português que merecia ser transformado em filme. A tragédia de Eurico é um épico. A luta contra invasores, o amor impossível por Hemengarda, a devoção religiosa. Tudo perfeitamente entrelaçado por Alexandre Herculano que quis deixar a marca lusitana entre tantas outras obras clássicas como El Cid, Ivanhoé e Artur da Távola. A adaptação feita para o português moderno cumpre seu papel - quase não é preciso o refúgio a um dicionário ou enciclopédia. Porém, o leitor mais acostumado ao ritmo dinâmico dos romances históricos atuais pode se sentir enfadado, já que todo o rol de personagens é dado a introspecção. O livro ainda apresenta batalhas sanguinolentas e discussões ferrenhas em que até os insultos são referidos, embora ainda dentro do gênero a que se propõe. Meu volume sofreu um pouco durante a leitura, e a lombada descolou... não sei se foi azar ou um defeito comum dessa edição.

    88 curtidas

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