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    Realidade - História da revista que virou lenda

    Myltainho

    Insular
    2013
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788574746173
    Português Brasileiro
    4.3
    8 avaliações
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    Há 47 anos, eu estava no Jornal da Tarde, lançado a 4 de janeiro de 1966, de onde me passaria meses depois para REALIDADE, lançada em abril. O JT sacudiu o jornalismo diário, pela diagramação e pela linguagem. REALIDADE foi mais fundo. Mexeu com as estruturas do "sistema", desafiou os conservadores, os preconceituosos, quebrou tabus. E em plena ditadura militar. Neste momento, quase meio século depois, reflito sobre as perguntas que mais me fizeram os estudantes todos esses anos: por que não fazem mais uma revista como REALIDADE?, por que não fazem mais reportagens como aquelas? Muitos abrem a boca de espanto quando digo que é porque a ditadura ainda não acabou. Digo meio de brincadeira, mas leia este livro refletindo comigo: se a ditadura que matou REALIDADE já acabou, então por quê? O Autor

    Resenhas (1)Ver mais
    Jéssica Trombini picture
    Jéssica Trombini14/11/2014Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O livro traz a história Realidade em seus dois primeiros anos de circulação: da criação, em 1966, à demissão de seu primeiro editor-chefe, Paulo Patarra, em 1968. Esse fato levou à "autodemissão coletiva" dos integrantes da primeira redação da revista. Na capa do número 33, o último da primeira turma e que encerrou a considerada melhor fase da publicação, Luís Carlos Prestes, mesmo já tendo sido decretado o AI-5. A revista circulou ainda até 1976, em clara decadência após os dois primeiros anos. "História da revista que virou lenda" traz bastidores da redação, narração de brigas, intrigas e fatos engraçados. O mais curioso e incrível deles está na frase "Dizem analistas que a gente imitava o new journalism. Trabalhei do lado do Serjão e do Paulinho e nunca ouvi falar. A gente inventou uma fórmula nossa, não?" O autor por diversas vezes chama essa turma de "loucos de 64" ou "malucos de esquerda". Em plena ditadura militar, tratavam de temas tabus e de política, bancados pela Abril, que até 1968 não fazia tanta pressão sobre os editores, já que as vendas eram exorbitantes (beirando os 500 mil exemplares) e a censura ainda era branda, de certa forma (ou era burlada com êxito). Em 1968, a existência de Realidade levou à criação da revista de direita, a Veja, pelo mesmo Roberto Civita. O cerco começou a apertar com capas com Fidel Castro e Che Guevara. Myltainho colheu diversos depoimentos de quem fez e viveu a revista, e é unanimidade entre os entrevistados que a maneira com que Realidade abordava os fatos era diferente de qualquer outro modo que poderia existir. As reportagens tinham profundidade e ao mesmo tempo eram humanistas. O senão do livro é que todo esse período é narrado em fluxo de consciência, tornando a leitura confusa, pois ele vai e volta no mesmo tema ou na mesma edição da revista várias vezes. Acredito que em ordem cronológica ficaria muito melhor, até para o leitor se situar e acompanhar o período. Diversas vezes também o autor fala brevemente sobre um assunto e explica "veremos adiante", ou "como será visto no capítulo x", quando poderia já eliminar o tópico rapidamente. Ele também se demora na transcrição de conteúdos da revista, como índices, que acabam sendo um pouco inúteis. Os primeiros números da revista tomam bastante espaço dentro do livro. Ao relatar o final, a impressão é de que ele "correu" e falou pouco desse fim, ou se demorou demais no restante.

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