A música de Schoenberg — músico que ao morrer em Los Angeles, em 1951, era reconhecido como um dos maiores compositores do século — provocou sempre ódio e controvérsias sem semelhança na história da música. Raras personalidades musicais deste século escaparam, em maior ou menor escala, à sua personalidade extraordinária, e às suas inovações musicais. Compositor, regente, pintor, libretista, tenista, professor, musicólogo, ensaísta, polemista, tudo exercitava com igual paixão. Em sua turbulenta carreira artística foi, com o mundo que o cercou, agressivo, sardônico, corajoso, simpático, piedoso, implacável, desconfiado; e, mestre carismático, dedicou-se aos discípulos com rara pertinácia, incentivando-os, protegendo-os; em resposta, foi por eles venerado. Lúcido e generoso, defendeu sem hesitar as obras de Mahler, e responde às superficialidades de um crítico do New York Times reconhecendo ter ele próprio outrora descartado estas mesmas obras como sem valor. Esta obra de René Leibowitz preenche portanto uma lacuna ao trazer por primeira vez Schoenberg ao leitor em língua portuguesa; vem ela enriquecida por um índice de nomes e assuntos por Peter Naumann; um prefácio por Willy Corrêa de Oliveira; um posfácio e o disco de Caio Pagano; é um lançamento pioneiro e imprescindível, ainda por vir acompanhado de abundante iconografia, por sua brilhante tradução, por exemplos e documentos trazendo mais luz à vida e à obra do autor do Pierrot Lunaire.
Schoenberg -
René Leibowitz
Narrativa bem fluida, contando das raízes da família Mengele até a morte de Josef. Destaque para o período da Segunda Guerra com muitos relatos de pessoas que viveram nos campos de concentração (médicos e prisioneiros) e descrições de diversas experiências realizadas nos campos. Para preencher as lacunas da história o autor abusa de lendas, boatos e especulações. Às vezes perde a imparcialidade, tirando conclusões especulativas e sem embasamento. Esse tipo de livro sempre vem com dezenas de páginas de Notas e Referências Bibliográficas detalhadas, indicando capitulo por capitulo, página por página as fontes pesquisadas. Mas neste livro só há alguns títulos numa Bibliografia de duas páginas e meia. O autor faz várias afirmações falsas, por exemplo, afirmando que: -Heydrich tinha ancestral judeu. pag 35 (Isso é muito especulado, mas nunca provado); -Himmler “começou a aceitar quase todos os voluntários” na SS.pag 35 (O que ele mesmo desmente logo em seguida dizendo que era rastreado a linhagem paterna e materna do candidato ao longo de 150 anos); “[Hoess] assim como Hitler, só passou cinco anos na cadeia” Pag 53. (Hitler foi condenado a cinco anos, mas ficou preso por menos de um ano). - Ao citar um habitante falando que os norte-americanos destruíram Dresden, ele diz “Na realidade foram os britânicos que destruíram Dresden” pag 287. (Assim como na maioria das outras cidades alemãs os bombardeios foram efetuados durante a noite pelos britânicos e durante o dia pelos norte-americanos). Há algumas traduções erradas, como a mensagem do portão de Auschwitz que diz “o trabalho liberta”, foi traduzida como “o trabalho traz felicidade” pag 63. (Não sei se essas traduções foram do autor passando para inglês ou da tradutora passando para português). Ainda não entendi a necessidade de repetir umas quatro ou cinco vezes que Himmler foi criador de galinhas.
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