A sensação que tive ao ler "Daniel" era de que eu estava passando os olhos por um resumo. A ideia geral não deixa de ser interessante, mas infelizmente o autor não conseguiu levar o leitor de maneira satisfatória.
A princípio o texto está recheado de erros de concordância, e necessitando de uma revisão urgente. A narrativa também é muito corrida e tem muitas vírgulas em lugares onde não deveria ter. Dá a impressão de que existe uma pressa em acabar logo.
Algumas incoerências na história também acabam com o efeito "suspensão de descrença", pois os atos de alguns personagens são inverossímeis e os diálogos são artificiais. Um exemplo rápido é que a certa altura do livro o narrador diz que "nunca mais a eletricidade voltou", porém mais para frente os personagens não tem dificuldade em transmitir os desastres ocorridos com câmeras, nem de ver as notícias em uma televisão.
Outra coisa que fez com que eu desse esta nota é que faltou mais da ambientação, exatamente pelo fato de tudo ser contado de forma tão apressada. Não ficou claro o motivo de os robôs quererem tanto salvar a humanidade, ao menos não demonstraram isso em seus atos.
No final, tudo se resolveu muito abruptamente e de forma fácil, algo improvável perante os fatos terríveis que estavam ocorrendo.
Enfim, a história não deixa de ter seu mérito, mas realmente senti como se estivesse lendo um resumo de algo que poderia ser muito maior e mais bem colocado. Minha sugestão para o autor é de trabalhar mais o texto e ter o cuidado de mandar para no minimo duas pessoas com alguma experiência e que possam dar opiniões sinceras.
Pode vir a ser um belo diamante, mas precisa ser lapidado.
OBS: tenho consciência de que é um conto, e sei que por isso deve ser pequeno. Mas nem por isso deve ser contado rapidamente e sem detalhes. Um conto deve ter uma proposta simples, e talvez aí tenha sido o erro do autor, pois a ideia de "Daniel" é complexa para ser espremido em 32 páginas.