Cheguei ao término de outro “grande” livro de história medieval, e estou contente com minhas sequências de leituras, estou gostando da evolução que estou tendo com os materiais de minha estante. Vejo como algo positivo, e convicto que chegarei na minha humilde meta de ler meu pequeno acervo, pesquisas realizadas com competência pelos ilustres medievalistas.
Como citado na postagem anterior, o material contém estilo de escrita digna de um material sério e bastante técnico, utilizando de forma sistemática referências bibliográficas, tornando-se uma leitura densa, exigindo uma concentração que talvez não teria em outras obras.
O livro é centrado em leitores que já possuem uma aproximação com o tema, mesmo os leitores que não tenha o hábito no “nicho” literário, recomento leituras de apoio, também não é nada que não possa ser lido e entendido, só demanda tempo e uma certa dose de disciplina.
No material do Mário Jorge da Motta Bastos encontra-se coesão nos parâmetros intelectuais deixados por Karl Marx, apresentando ao leitor o arcabouço teórico das teorias de lutas de classes, com utilização de outras fontes documentais.
Mantendo o esforço na exemplificação das ações fundamentais do clero e adaptações sacras relacionados aos assuntos dos Céu e da Terra, evidenciando o monopólio no âmbito de dominação social e conversão da aristocracia, mantendo-se como legitimador e incontestável posição na hierarquia social.
Vejo que o objetivo da obra apresentada foi realmente ao favorecimento na concepção de função social do conhecimento, com uma gama de fatos históricos, relacionados aos métodos que provocaram desconforto ao campesinato, o autor segue direcionando análises dos tipos de dominações e resistências, através da elucidação no projeto histórico dos sistemas pré-capitalistas.
Não posso esquecer das referências utilizadas nas pesquisas que chamaram minha atenção; como Edward P. Thompson que detém tradição na historiografia marxista, influência direta do conceito gramsciano; também posso citar abordagem de dois grandes nomes na pesquisa medieval, deixando o leitor ciente da linha de pesquisa de Raoul Manselli e André Vauchez.