O verão finalmente chegou e Derek não vê à hora de atacar o caminhão da UPS com balões de água subir no telhado da garagem e conduzir investigações. Mas quando seus pais o enviam para o acampamento de estudos, os sonhos de diversão de Derek acabam. Agora ele terá que ler "livros de verdade" - algo que não seja Calvin & Haroldo. Enquanto Derek faz novos amigos e descobre um segredo de família que o envolve (apenas fraldas e mais nada!), percebe que aventuras surpreendentes estão muitas vezes à espreita, com a adição de bolas curvas.
Minha Vida de Livro -
Janet Tashjian
Se você é desses que adora lembrar como é ser criança, tem essa curiosidade ingênua, curte desenhar ou ler livros com muitas ilustrações... Leia Minha Vida de Livro
(Esta resenha teve corte de quotes e imagens do livro; visite o link para conferir) Minha Vida de Livro é uma história contada por Derek, de 12 anos, quem está para entrar de férias e tem uma lista de livros para ler antes de começar as aulas. Mas por que ler coisas da escola quando se tem tanto pra fazer no tempo de descanso? Os pais de Derek fazem de tudo para que o menino dê uma chance ao menos a um livro, chegam até a oferecer chocolate por cada página lida. Enquanto não conseguem algum resultado, Derek se joga em um mistério que muito por acaso cai do sótão da casa. De repente algumas coisas soam suspeitas demais e vale uma investigaçãozinha sobre tal a reportagem que a mãe guardou por tantos anos. É verão (época de férias lá nos EUA) e Derek quer apenas se divertir, mesmo que isso represente fazer zeros nadas (quem nunca?). Mas como seu melhor amigo, Matt, viaja com a família e Derek se vê sem muitas opções senão aprontar sozinho, ele acaba sendo matriculado em um acampamento de estudos. Contra a corrente, o menino não deixa a imaginação de lado e ainda assim tenta se divertir à sua maneira. Até porque tem todo um rolo de suspeitas acontecendo e o intrigando. As traquinagens do Derek impressionam os pais, que ora vão lá dar aquele puxão de orelha, ora entendem que não é preciso dar uma dura. É uma família, diga-se de passagem, tranquila, bem cotidiana – o pai trabalha com ilustração para filmes e a mãe é veterinária, o que não é nada muito extraordinário, mas que tem um bom peso dentro da história. Achei interessante que Janet coloca assuntos tensos de maneira leve e agitada ao mesmo tempo, conferindo um pico aqui e ali de emoção. Você acaba rindo muito pelas traquinagens (como quando Derek sobe no telhado pra mexer na antena e isso pode interferir o programa de Tv que o pai assiste ou quando Derek sequestra um macaco da clínica da mãe, só porque seria muito massa poder brincar com um), e gruda-se ainda mais no livro quando o suspense surge (acredite, tem um bocadinho). Não é bem uma aventuuuura, é mais sobre descobrir histórias sobre sua vida que nem sua família poderia ter noção. Embora a trama pareça ser bem simples, ela é bem construída. Há mistérios, há cotidiano, há bobices e surpresas que se encaixam perfeitamente. Como já comentei em outras resenhas, tenho um tombo inteiro por metaficção (ficção que fala de ficção) e aqui em Minha Vida de Livro você vê algo semelhante, algo como metaleitura (uma leitura sobre leitura) – o que dá aquele toque de como mediar leituras para crianças a partir da visão de uma. Muita gente começa com quadrinhos e Minha Vida de Livro trata bem disso, dessa transição e expandir a imaginação. O livro também te dá umas boas perspectivas, tanto sobre como mediar esse “salto”, quanto sobre a vida e a própria relação de pais e filhos. Apesar de nunca ter lido de fato O diário de um banana, a minha sensação foi de total lembrança a essa série, pois envolvem meninos ingênuos, amizades de criança, ilustração, um ritmo bem corrido de leitura e umas traquinagens de meninada. Cá com Tashjian temos ainda boas doses de amizade, conspiração juvenil, aprendizados e, vá lá, os velhos costumes da família americana (nunca vou entender como um almoço pode ser um sanduíche de manteiga de avelã...). A edição, inclusive, super corrobora para uma boa apresentação do livro – traz desenhos nas margens das páginas, que representam parte das atividades de Derek durante as férias (ilustrações essas feitas por um real garoto de 15 anos); traz também uma tipografia (tipo de letra) em letras maiúsculas, que passa aquela urgência e agitação de Derek em contar as coisas; isso sem falar da capa dura (um mimo só!). Se você é desses que adora lembrar como é ser criança, tem essa curiosidade ingênua, curte desenhar ou ler livros com muitas ilustrações... Só acho que vale muito a leitura de Minha Vida de Livro. Leia e depois experimente repassar para os filhos, sobrinhos, irmãos menores, pois imagino que deva ser uma sensação mais gostosa ainda, visto que ele é na medida certa, nem muito, nem pouco e que vocês podem conversar sobre de boa. Enfim, re-co-men-do.
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