“Da clínica do desejo a sua escrita propõe um mapeamento da chegada do pensamento psicanalítico em duas regiões das Américas: Brasil, a partir dos anos vinte, e Caribe, a partir dos anos 40. Discute-se a presença e a produtividade do pensamento de Freud na discussão intelectual paulistana, através de autores como Mário de Andrade, com suas edições anotadas de Freud em francês, cotejando-as com sua literatura. Daí parte-se ao Rio de Janeiro, com a particular incidência da psicanálise na obra do dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues, que soube como poucos fazer um pastiche do pensamento de Freud e, ao mesmo tempo, alcançá-lo noutra instância pela via do trágico. Do Caribe recolhe-se o fermento de Freud e Lacan na obra de Frantz Fanon, que se valeu da apropriação da psicanálise para interrogar o conflito racial e a descolonização africana. Finalmente, o périplo se encerra em Cuba, através de exilados como Severo Sarduy, cuja leitura de Lacan, estabelecida em proximidade com o grupo parisiense da revista Tel Quel sugere um acirramento de posições arraigadas de um catolicismo natal. As diversas apropriações do pensamento psicanalítico dão mostra de uma produtividade outra das ideais de Freud e Lacan na escrita destes autores. Cabe-nos mostrar como o desejo se configura em cada um deles."
