Despretensiosos, os poemas de Luís Bogo são capazes de atingir a alma sem o estrondo de um canhão, mas com veneno de cobra coral. Embora silenciosos, seus versos penetram a alma e o corpo, até o canal do dente. Às vezes trazem alívio e em outras, dor. Mas é uma dor carregada de ternura e beleza, de sentimentos nobres, feito de palavras carregadas de singela realeza. Sua poesia não se propõe a explicar o mundo; mas constatá-lo, identificá-lo apenas. Seus poemas funcionam feito uma câmera, mas seus versos são lentes silenciosas, cristalinas e poderosas. É um Sono especial. E apesar de alternar momentos de sonhos e de pesadelos, nos faz navegar sem dificuldade pelo imenso oceano formado por palavras, vírgulas e interrogações. Também traz toques de humor e sarcasmo, mas nada que possa afetar honras ou reputações. A intenção é apenas a de provocar pensamentos mais profundos. O livro é belo e inteligente. Consegue atingir o sentido poético de embelezar, fazer sentir e pensar. Enfim, apesar De irreverente; e, em alguns momentos sensual, este "Sono" nos faz refletir ao ponto de tirar o sono.