Neste livro, o professor Ralf Dahrendorf expõe a tese de que o conflito, além de inextricável da sociedade, é útil e mesmo indispensável para o seu equilíbrio. Dahrendorf polemiza diretamente com Talcott Parsons e indiretamente com Karl Marx. É porque o autor também professa, à sua maneira, um certo funcionalismo, embora quase paradoxalmente dialético. Pois, para ele, até os conflitos, ou principalmente eles, terminam contribuindo para o ajuste interno da sociedade, numa espécie de operação algébrica, na qual os contrários se anulam, gerando por sua vez outro conjunto. Que traz dentro de si contradições a serem resolvidas na etapa seguinte e assim por diante. Dahrendorf incorpora-se, por caminho próprio, aos críticos de Parsons. Discorda do funcionalismo sistêmico parsoniano, onde o conflito seria sinal de anomalia, ou mesmo anomia, se quiséssemos usar expressões mais técnicas.
