" - Estou com o carro ali, entre as árvores - você lhe diz.
- Agora você vem comigo, mansinha, caladinha, e vai ficar do meu lado para sempre. Você sabe muito bem que ninguém pode me abandonar."
Esse trechinho obviamente retrata um relacionamento abusivo. Mas o que poderíamos esperar de um livro cuja inspiração principal é a SOBERBA??
Antes de ler esse livro, Tomás Eloy Martinez era um autor totalmente desconhecido para mim, talvez por esse motivo tenha me surpreendido tanto. Talvez porque de longe é o meu livro favorito da série até então.
Conheci a coleção Plenos Pecados, na faculdade de Comunicação, há mais ou menos 17, 18 anos atrás. Na época tive que ler GULA do Veríssimo. Para eu possuir os sete livros da coleção (que tem a proposta de representar os sete pecados capitais) devo ter levado uns 14 anos e até agora esse é o quarto livro que eu li dos sete, ao menos já passei da metade :) .
O autor tem uma capacidade impressionante de imaginar histórias baseadas em um fato real que marcou a sociedade. Através desse exercício de imaginação, ou seria criatividade? Ele cria tramas, tensões, nos faz ficar diversas vezes na ponta da cadeira de tanta ansiedade e consegue dar profundidade a todas as personagens envolvidas.
É meio que aquela brincadeira infantil de ouvir trechos das conversas das pessoas que passam na rua e inventar enredos, diálogos, histórias de vida, nomes fictícios, amores, traições, para aquelas pessoas das quais você nem sequer sabe o nome, quem dirá sua história de vida. Bastou cruzar contigo por meros segundos para se tornarem atores principais de suas histórias imaginárias. Não que eu já tenha feito isso, ;). Ok, somente dia sim e dia também.
Quando se trata de livros não curto fazer resumos das histórias, pois acho que quando você conta a trama pra alguém com o intuito de incentivar a leitura o que consegue é fazer com que a história perca um pouco do seu brilho.
O autor mostra como ninguém como o poder corrompe, sobe a cabeça dos envolvidos e faz com que por vezes se sintam acima do bem e do mal. Não tinha enredo melhor para retratar a SOBERBA. Uma última coisa, quando damos a cartada final, e não somos punidos. Será que o destino não se encarrega de nos fazer pagar as nossas dívidas?