Após ler algumas avaliações deste livro, eu fiquei na dúvida se deveria ou não comprá-lo. O fato de “Unfixable” se passar na Irlanda realmente era um ponto a seu favor. Tendo morado em Dublin por muitos anos e ser casada com um irlandês, eu estava ansiando por um romance que me lembrasse daquela cidade pela qual eu guardo tão boas recordações. Eu queria, junto à protagonista, revisitar os meus lugares favoritos. Por outro lado, eu não estava com ânimo para ler mais um romance figurando a costumeira garota-desajustada-que-odeia-o-mundo. Por fim, minhas saudades da Irlanda pesou mais.
Mas, quão errada eu estava em minhas suposições.
A chegada de Willa no aeroporto de Dublin e seu encontro com Shane no carrossel de bagagens, que somente nos EUA fica para fora da área de dembarque, me fez duvidar se a autora algum dia havia realmente estado em Dublin. Por outro lado, Willa não soava nada como a típica gótica de mal com o mundo, descrita em tantas ficções atuais. Na verdade, Willa era espirituosa, engraçada e sempre com uma resposta na ponta da língua. Surpreendentemente, a prosa me fisgou rapidamente e eu simplesmente não consegui colocar o livro de lado.
A narrativa, escrita sobre o ponto de vista de Willa, começa com uma rápida introdução sobre o seu rompimento com Evan. Embora ele se encaixasse nos moldes do namorado dos sonhos de qualquer um, Willa não conseguia ser ela mesma junto à ele. Ela estava sempre escondendo os seus verdadeiros sentimentos, frustrações e tristezas, com o intuito de ser a namorada que ela acreditava que ele merecia. Willa não é doce, certinha, nem sociável e a sua infância cruel a deixou um tanto quanto calejada. Assim, convencida de ser irreparável, ela termina com Evan.
Logo em seguida, Willa vence um concurso de fotografia, cujo o prêmio é uma viagem à Dublin, e enxerga uma oportunidade de curar o seu coração à centenas de quilômetros de Evan. Ela parte para Irlanda, mas com a certeza de que se não conseguiu fazer dar certo com Evan, um cara que ela considerava perfeito, ela não conseguirá ter um relacionamento com mais ninguém.
Ela não contava, no entanto, com a atração imediata que sente por Shane, corredor de Formula 1 e dono da pousada/pub que ela se hospedará durante sua estadia em Dublin. Shane é a personificação do irlandês sexy, alto e forte, contudo, ao contrário do estereótipo dos irlandeses, ele não é nada amigável ou hospitaleiro. Os diálogos entre Willa e Shane são realmente divertidos e cheios de sarcasmo. No início, os dois não se dão bem e negam intensamente a evidente atração que sentem um pelo outro. E que atração! Há fogos de artifício explodindo ao seus redores. Os dois, todavia, carregam muita tristeza e vergonha dentro si o que impede que eles ajam em relação à esta atração.
A jornada descrita por Tessa, desde o lugar amargo aonde eles se encontram até o momento em que eles se sentem livres e dignos do amor, é simplesmente linda. É possível sentir as emoção dos personagens, suas dúvidas e tristezas. O relacionamento de Willa e Shane é inegavelmente caliente, mas vai muito além disso: ele terá a força de libertá-los de seus passados.
“Unfixable” é consideravelmente curto se comparado com outros New Adult do gênero; eu o li em uma sentada. Contudo, o enredo é bem construído e os personagens são multidimensionais. Não há aquela sensação de que as coisas acontecem às presas, como é comum nos romances desta extensão. É possível apreciar a evolução da trama. A prosa é fluida, espirituosa e bastante divertida. Recomendadíssimo para aqueles que adoram uma linda e apimentada estória de amor.
Eu definitivamente não revisitei meu lugares favoritos em Dublin, mas o livro me surpreendeu positivamente. Confesso que me diverti bastante! Apesar do livro fazer parte da série “Entangled”, pode ser lido como standalone.