O amor natural -

    Carlos Drummond de Andrade

    Companhia das Letras
    2014
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788535924336
    Português Brasileiro

    O lirismo desabusado e erótico de um dos nossos grandes poetas. Publicado em 1992, cinco anos depois da morte de Carlos Drummond de Andrade, O amor natural foi saudado, com justiça, como um grande acontecimento cultural: a lírica erótica (e por vezes pornográfica) de um dos maiores poetas da literatura brasileira finalmente vindo a lume. Mais de vinte anos depois de sua publicação original, pode-se dizer que a leitura do livro ganha ainda mais importância: os poemas eróticos de Drummond, que na edição original foram lidos quase como uma excentricidade dentro de uma vasta e importante obra, estão entre os maiores exemplos dessa modalidade de lirismo em qualquer idioma. Mais do que isso, grande parte deles está à altura dos maiores momentos do poeta mineiro. Fortes, intensos e sem o travo de melancolia da poesia amorosa de Drummond, os poemas de O amor natural chegam a ser solares em sua clara e positiva afirmação do desejo sexual, do conhecimento físico entre duas pessoas e da vitória contra a morte que representa a busca pelo prazer. Compostos no decurso da longa carreira literária do autor, os textos reafirmam a enorme vitalidade - pessoal e literária - do autor.

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    Renata Cereser Sogi20/02/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A sexualidade está ali, nos versos mais simples aos mais complicados

    Amor - pois que é palavra essencial “(...) O corpo noutro corpo entrelaçado, fundido, dissolvido, volta à origem dos seres, que Platão viu completados: é um, perfeito em dois, são dois em um. Integração na cama ou já no cosmo? Onde termina o quarto e chega aos astros? Que força em nossos flancos nos transporta a essa extrema região, etérea, eterna? (...)” Carlos Drummond de Andrade – O Amor Natural O AMOR NATURAL apresenta um lado pouco conhecido de Drummond: são poemas eróticos e foram publicados somente após a sua morte. Não é de se espantar que tenha sido desta forma: o poeta tinha horror de ser tachado como pornográfico, por isso, a obra apenas saiu da gaveta para virar livro em 1992. Os poemas são sim de cunho erótico, mas não são, em minha opinião, vulgares ou debochados, ao contrário: o sexo aparece como algo atraente e belo, passando por um completo despudor, e são versos onde o ato sexual não eleva nem rebaixa, mas apenas expõem a condição simples, natural e crua de ser humano. Mesmo nas questões cotidianas narradas de forma simples – e como não poderia deixar de ser, poéticas – encontramos a sexualidade, os desejos, as fantasias, o corpo. Algumas pessoas fãs da poesia de Drummond podem até ficar chocadas, mas não creio que seja pelo conteúdo erótico, mas por encontrar um lado do poeta nunca antes exposto. Para mim, o livro mostrou que o “homem” também existia, além do poeta que já admirávamos. Vale a pena conferir esta obra e perceber que, no fundo, o amor é sempre natural.

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