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    Como se o mundo não tivesse Leste -

    Ruy Duarte de Carvalho

    Casa das Áfricas
    2008
    159 páginas
    5h 18m
    ISBN-13: 9789727952601
    Português Brasileiro
    4
    2 avaliações
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    Como se o mundo não tivesse Leste, escrito em 1975, publicado em 1977, reúne três textos curtos de ficção situados na última fase do período colonial. O interesse do relançamento deste livro (trata-se de uma 4ª edição ainda que integralmente revista) reside muito no facto de revelar já a presença do autor nos domínios de uma ''auto-ficção'' que só seria retomada muito mais tarde com Os Papéis do Inglês (Livros Cotovia, 2000), embora noutro dos seus livros em prosa, Vou Lá Visitar Pastores (Livros Cotovia, 1999) recorra também a essa modalidade bem como à criatividade poética. Ruy Duarte de Carvalho interveio nesta reedição procedendo a alterações, acrescentos e cortes que por certo aguçarão a curiosidade dos leitores mais atentos. Um livro que marcou e marca ainda a história da literatura africana de língua portuguesa.

    Resenhas (1)Ver mais
    JCA picture
    JCA19/06/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ótimo livro do Ruy Duarte de Carvalho. Possui três contos e o meu preferido é "As águas do Capembáua", pois me lembra bastante - pode até ser uma espécie de conto embrião - o livro lançado em 2000 "Os papeis do Inglês", do mesmo autor. O conto em questão possui uma narrativa com clima de romance policial, embora ele seja, de certa forma, invertido. O que me encanta na literatura desse escritor angolano é seu empenho em dar voz e evidencia ao outro (povos que não possuem matrizes europeias). Ruy Duarte faz algo diferente, ele não fala dos grupos africanos não-ocidentalizados para os ocidentais, mas fala dos não-ocidentalizados para eles mesmos, e, também, para os ocidentais. Dessa forma, o que sempre me empenho a estudar, durante minhas leituras nesse escritor, são as estratégias que ele usa para ocasionar essa evidenciação do outro. Recomendadíssimo.

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    Ruy Duarte de Carvalho

    Português de nascimento, passou a infância em Moçâmedes, voltando a Santarém, em 1955. Depois do Curso de Regentes Agrícolas, que realizou na então Escola de Regentes Agrícolas de Santarém (atual Escola Superior Agrária), em 1960, foi exercer funções na Estação Experimental do Caraculo, na então Moçâmedes. A seguir trabalhou também nos setores da cafeicultura e da pecuária. Em 1971 resolveu instalar-se em Lourenço Marques, onde foi chefe de produção numa fábrica de cerveja. Em 1972 parte para Londres, a fim de estudar realização de cinema. Ao regressar seria admitido na Televisão Popular de Angola, como realizador. É autor das longas-metragens Nelisita: narrativas nyaneka (1982) e Moia: o recado das ilhas (1989). Adquirindo a nacionalidade angolana em 1983[3], voltou a sair da antiga colónia para se doutorar em Antropologia, na École des Hautes Études de Sciences Sociales, em Paris. A partir de 1976 conciliou a escrita, o cinema e o ensino na Universidade de Luanda. Como professor convidado leccionou também na Universidade de Coimbra e na Universidade de São Paulo, no Brasil. Autor de referência da língua portuguesa, publicou, entre outras obras, Chão de Oferta (1972) e A Decisão da Idade (1976), reunindo em Lavra (2000), a sua obra poética quase completa. Na ficção salienta Como se o mundo não tivesse Leste (1977), Vou lá visitar pastores (1999), Actas da Maianga -Dizer da(s) guerra(s) em Angola (2003) e Os Papéis do Inglês (2000). Recebeu o Prémio Literário Casino da Póvoa com Desmedida - Luanda, São Paulo, São Francisco e volta (2008). Também em 2008 o Centro Cultural de Belém realizou um ciclo sobre a sua vida e obra, o primeiro que dedicou a um autor de língua portuguesa. À data da sua morte residia em Swakopmund, na Namíbia.

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    Ruy Duarte de Carvalho