Ruy Duarte de Carvalho
Português de nascimento, passou a infância em Moçâmedes, voltando a Santarém, em 1955. Depois do Curso de Regentes Agrícolas, que realizou na então Escola de Regentes Agrícolas de Santarém (atual Escola Superior Agrária), em 1960, foi exercer funções na Estação Experimental do Caraculo, na então Moçâmedes. A seguir trabalhou também nos setores da cafeicultura e da pecuária. Em 1971 resolveu instalar-se em Lourenço Marques, onde foi chefe de produção numa fábrica de cerveja.
Em 1972 parte para Londres, a fim de estudar realização de cinema. Ao regressar seria admitido na Televisão Popular de Angola, como realizador. É autor das longas-metragens Nelisita: narrativas nyaneka (1982) e Moia: o recado das ilhas (1989).
Adquirindo a nacionalidade angolana em 1983[3], voltou a sair da antiga colónia para se doutorar em Antropologia, na École des Hautes Études de Sciences Sociales, em Paris.
A partir de 1976 conciliou a escrita, o cinema e o ensino na Universidade de Luanda. Como professor convidado leccionou também na Universidade de Coimbra e na Universidade de São Paulo, no Brasil.
Autor de referência da língua portuguesa, publicou, entre outras obras, Chão de Oferta (1972) e A Decisão da Idade (1976), reunindo em Lavra (2000), a sua obra poética quase completa. Na ficção salienta Como se o mundo não tivesse Leste (1977), Vou lá visitar pastores (1999), Actas da Maianga -Dizer da(s) guerra(s) em Angola (2003) e Os Papéis do Inglês (2000).
Recebeu o Prémio Literário Casino da Póvoa com Desmedida - Luanda, São Paulo, São Francisco e volta (2008). Também em 2008 o Centro Cultural de Belém realizou um ciclo sobre a sua vida e obra, o primeiro que dedicou a um autor de língua portuguesa.
À data da sua morte residia em Swakopmund, na Namíbia.