Ardalén -

    Miguelanxo Prado

    Asa
    2013
    260 páginas
    8h 40m
    ISBN-13: 9789892321455
    Português

    Se é certo que somos o que recordamos, não é menos verdade que a memória não é um registo objectivo e inalterável. Sabela tenta reconstruir uma história, uma parte da sua história, através das recordações de Fidel, um ancião que vive perdido numa pequena localidade galega. A memória deste, porém, confunde realidade com fantasia, recordações com desejos, habitando um espaço interior cheio de fantasmas, sonhos e ilusões. Entretanto, há outros fios que se vão entrelaçando neste processo de recuperação, outras pessoas, outras memórias. Sim, porque também somos aquilo que os outros recordam! E nessas memórias, próprias e alheias, há amor e carinho, mas também rancores e ódios. Por isso recordar não é inócuo. E quem não recorda, não vive! Uma novela gráfica que ganhou, em 2013, o Prémio de Melhor Obra Espanhola no Salão de BD de Barcelona.

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    Ricardo Silvestre12/03/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Memórias mil

    Ardalén (do galego ar de/do além, ar de/do mais além) é o vento húmido que nas costas atlânticas europeias sopra do mar para a terra, de sudoeste. Chega a transportar, terra adentro e ao longo de largos quilómetros, o cheiro a sal e a iodo. Segundo as crenças populares, o ardalén tem origem nas costas americanas, atravessa o Atlântico e chega ao sudoeste da Europa. Nunca tinha lido nada deste autor, e tão pouco o conhecia, mas ao visitar o blog “Vinheta 2020” (blog dedicado à Banda Desenhada em Portugal e que aconselho visitar) acabei por tomar conhecimento desta obra e fiquei desde logo interessado em lê-la. A princípio, o que mais me fascinou foram as ilustrações e a expressividade das personagens. Os desenhos são de uma enorme beleza, onde o traço detalhado e a originalidade presente nas técnicas de coloração (que passam pelos lápis de cor, lápis de cera e giz) tornam o resultado final bastante impactante. A trama, recheada de elementos de realismo mágico e fantasia, é muito bem desenvolvida e cativante. Os elementos fantásticos envolvem-se com o tema central da memória humana e dão origem a uma história de grande profundidade e beleza. Seremos nós aquilo que as nossas memórias nos ditam? Estarão as memórias dos outros mais próximas daquilo que é a realidade? E quando não temos memória do que vivemos ou sentimos, quem somos nós afinal?

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