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    Evelina -

    Fanny Burney

    Pedrazul Editora
    2014
    388 páginas
    12h 56m
    ISBN-13: 9788566549065
    Português Brasileiro
    4.2
    193 avaliações
    Leram222Lendo15Querem749Relendo0Abandonos6Resenhas33
    Favoritos23Desejados749Avaliaram193

    Evelina é uma obra encantadora. Não foi à toa que Frances Burney, conhecida também por Fanny Burney, inspirou o estilo Jane Austen. A obra conta a história de Evelina, a filha adotiva de um reverendo, cuja mãe morreu pouco depois de tê-la dado à luz. As circunstâncias do seu nascimento são um tanto nefastas: a mãe foi enganada pelo pai, que a abandonou alegando nunca ter-se casado com ela. O livro, que é epistolar, trata-se de um período em que Evelina é requisitada para acompanhar os Mirvan – mais especificamente a única filha dessa influente família, que tem a mesma idade dela – em passeios diversos pelo interior da Inglaterra. Entretanto, durante esse período, é necessário que a família vá a Londres, viagem em que é pedida a permissão do reverendo para que Evelina também os acompanhe. Em Londres ela encontra pessoas de sua família que não conhecia e começa a reconstruir sua história de vida a partir desses encontros.

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    Fernanda Huguenin  picture
    Fernanda Huguenin 19/09/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Criada no campo, em Berry Hill, pelo bondoso reverendo Mr. Villars que a tem como se fosse sua própria filha Evelina é a filha bastarda de um rico aristocrata inglês. A jovem de 18 anos tem uma bela relação tutor-protegida com o reverendo, recebe da parte dele grande amor e respeito e deposita nele sua confiança como conselheiro moral, recebendo orientação de como lidar com situações desconhecidas e até embaraçosas. Um dia, em sua casa, Evelina recebe o convite da casa da família Mirvan para servir de companhia à sua amiga, Miss Mirvan, a qual, junto com a família, planeja passar a primavera em Londres, um período de três meses. Depois de certa hesitação, Mr. Villars dá a sua protegida permissão para a viagem, embora preocupado, entende que a jovem precisava conhecer um pouco o mundo lá fora. A bela protagonista é ingênua e insegura, porém, por ter sido criada por um bom homem, tem bons princípio, é gentil e caridosa. Uma moça interiorana, que conhece pela primeira vez a vida em sociedade, é de supor que se cometa alguns equívocos em relação à etiqueta. Em Londres, Evelina sente o dever de aprender a conviver em harmonia com os vários tipos de pessoas que cruzam o seu caminho e, especialmente, a lidar com comportamentos vulgares, violentos e abusivos de alguns personagens. As situações observadas pela moça e das quais acaba participando são, em sua maioria, cômicas e divertidas. Contudo, por mais cômicas que sejam as muitas situações que a autora nos apresenta no livro, há muita coisa real, séria e triste por trás da comédia, como o abandono, os casamentos frios, o preconceito social, o esnobismo e outros problemas que Burney nos mostra, entretanto, de uma forma engraçada, de uma maneira que, ao ler, não deixe no ar um clima pesado ou melancólico, pois como disse o personagem Chefe Bromden, do livro Um estranho no ninho: "Temos de rir daquilo que nos fere só para nos manter equilibrados, só para impedir que o mundo nos enlouqueça de todo." Mesmo fazendo sua protagonista passar por diversas situações dramáticas, cômicas, exasperantes e vexatórias, Fanny Burney cria um desenrolar intrigante e um final ideal para a nobre Evelina. -----------------------------####--------------------------------------------------------- Como muitos fãs de Austen sabem, Jane Austen era uma grande fã da Frances Burney. Evelina era um dos seus livros prediletos e o trabalho de Burney teve certa influência sobre a obra da Austen, especialmente nas semelhanças com personagens. Evelina, me lembrou muito Catherine Morland, do livro Abadia de Northanger, pelo fato de ser uma jovem inexperiente em relação a vida em sociedade, pois ambas, muitas vezes, depositaram confiança no julgamento de pessoas mais velhas e experientes. Evelina também me lembrou a personagem Harriet Smith, de Emma, por ser, além da filha não reconhecida de um homem de posses, uma moça com bonita aparência, mas que, no decorrer dos eventos, acaba sofrendo a zombaria e o desprezo por parte de outros personagens afetados e esnobes da trama. O estilo de humor da Burney é mais engraçado e aberto comparado ao de Austen, que eu considero mais discreto. Mas, esse detalhe é algo que tirou méritos do livro para mim? Nem um pouco! Para ser sincera ri horrores com algumas situações criadas pela Frances; destaco as cenas com os personagens Madame Duval e Capitão Mirvan que juntos formam uma dupla invencível quando se trata de humor! Outra possível semelhança com Austen seria a esnobe Lady Louisa, quem inspirou a criação da hipocondríaca Mrs. Bennet, de Orgulho e preconceito. Afinal, ambas têm em comum uma imensa preocupação com seus pobres nervos! Em Evelina, também vamos encontrar a já conhecida preocupação que cerca os personagens em relação às ligações sociais que mantêm; quem é digno ou indigno de se relacionar com qual família. E como também vemos em Austen, apresenta uma visão imparcial da sociedade, tanto no grupo da aristocracia quanto no lado burguesia, retratados no enredo. Ambos têm seus representantes bons e ruins. Finalizando, Evelina foi o primeiro livro que Burney publicou, e mostrou-se interessante e digno o bastante a ponto de ter servido de guia para Austen. Depois de terminado, me deu um gostinho de quero mais em relação aos títulos da escritora lançados após Evelina. Então, que venham mais obras da Frances Burney traduzidas para o Brasil! Especialmente Cecilia, que muitos afirmam ter o enredo semelhante ao de Orgulho e preconceito, além das páginas finais, que inspiraram seu título.

    7 curtidas

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    • 4 estrelas43%
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    • 1 estrelas1%
    Frances Burney profile picture

    Frances Burney

    Frances Burney, também conhecida como Fanny Burney e depois de seu casamento como Madame d'Arblay, era romancista, cronista e dramaturga satírica inglesa. Ela nasceu em Lynn Regis, hoje King's Lynn, Inglaterra, em 13 de junho de 1752, filha do musicista e pesquisador de música Dr. Charles Burney (1726-1814) e sua primeira esposa, Esther Sleepe Burney (1725-1762). Terceira dos seis filhos de sua mãe, ela foi autodidata e começou a escrever o que chamava de "rabiscos" aos dez anos de idade. Em 1793, aos 41 anos, casou-se com um exilado francês, o general Alexandre D'Arblay. Seu único filho, Alexander, nasceu em 1794. Após uma longa carreira como escritora, ela viajou, período durante o qual ela ficou presa na França por causa da guerra por mais de dez anos. Estabeleceu-se em Bath, Inglaterra, onde morreu em 6 de janeiro de 1840. Burney escreveu quatro romances, dos quais, o primeiro, Evelina (1778), foi o mais bem-sucedido e continua sendo o mais conhecido. Ela também escreveu várias peças, a maioria nunca apresentada publicamente em sua vida, um livro de memórias de seu pai (1832), e deixou grandes quantidades de cartas e diários, que foram gradualmente publicados desde 1889.

    6 Livros
    17 Seguidores
    Norfolk, Inglaterra

    Frances Burney