Ainda que fortemente influenciado pelo "Fausto" de Goethe (mesmo na ordem das cenas iniciais, com Deus sendo louvado no céu por seus três arcanjos, e em detalhes tão explícitos como a aparição rápida e agressiva do gênio da terra) o poema dramático de Imre Madách tem uma estrutura toda original e acaba nos levando por caminhos diversos daqueles trilhados por Goethe e, ao contrário do velho(e classicista) Goethe, o jovem romântico Madách nos larga no meio de um caminho qualquer, sem sabermos o que pensar, sem segurança, com fátua esperança e sombria dúvida.
Faz parte, sem dúvida do conjunto de grandes poemas metafísicos-neoplatônicos-cristãos-místicos que inclui também a "Divina Comédia" de Dante, o "Paraíso Perdido" de Milton e o "Fausto" (primeira e segunda partes) de Goethe.
A tradução foi feito por dois excelente tradutores: o húngaro naturalizado brasileiro Paulo Rónai (pioneiro tradutor de literatura húngara para a língua portuguesa) e o poeta Geir Campos, que tratou de dar acabamento poético à tradução literal de Paulo Rónai.
Li a obra na edição da editora salamandra, com belas ilustrações. Mas o texto também está disponível on-line, no endereço que disponibilizei abaixo.