Amei!
Uma pequena e singular cidade carregada de elementos mágicos é o pano de fundo para que Sarah Addison Allen encante seus leitores ao falar das relações humanas, numa história curta, cheia de redenção e esperança. Um texto poético com um toque de realismo fantástico, um exemplo do seu estilo de escrita que desperta emoções e que adoro. Um romance para sonhar. Mullaby, Carolina do Norte, é a cidade cheia de excentricidades. Luzes noturnas - seriam fantasmas? -, um gigante, pessoas com aptidões incomuns, um papel de parede que se muda sozinho... É aqui que o leitor encontrará dois personagens chaves: Julia, 34 anos, e Emily, 17. Órfã, Emily chega à cidade para morar com o avô, um homem com mais de dois metros de altura, e em vez de conforto encontra "a estranheza solitária do lugar". Há algo no ar, ela não é bem aceita, não consegue se entrosar com a comunidade, seu avô não consegue lidar com a situação. Logo percebe que sua mãe teve um passado que até então desconhecia e que está causando esse afastamento, uma adolescência que contradiz um estilo de vida. Sai a ativista preocupada com os outros e entra uma jovem mimada e cruel que fez algo terrível à família Coffey. Será? Essa é a jornada pessoal de Emily: descobrir esse passado e tentar redimi-lo. E ela encontra apoio em Julia. Julia cresceu na cidade e conheceu a mãe de Emily quando jovem. Ficou dezoito anos fora e voltou com a morte do pai. Ela tem um relacionamento difícil com a cidade, carregada de lembranças tristes e de um segredo. Trecho de Julia: "- Estou sempre com saudade de casa - ela disse sem olhar para ele. - Só não sei onde é minha casa. Há uma promessa de felicidade por aí. Eu sei disso. Até sinto às vezes. Mas é como perseguir a lua: bem na hora em que você a tem, ela some no horizonte. Eu fico triste e tento seguir em frente, mas depois o maldito troço volta na noite seguinte, me dando esperança de pegá-la novamente." Página 175 Se há romance? Sim. Assim como em Encantos do Jardim, há o desenvolvimento de duas relações amorosas. Win Coffey desperta sentimentos em nossa heroína mais jovem e Sawyer protagoniza com Julia uma bela história de reencontro e reconciliação. Sinceramente é muito difícil escrever um texto sobre essa trama e não cometer um spoiler, Julia faz bolos e o motivo para fazê-los é tocante e um dos fios condutores da narrativa. O que posso argumentar é que foi uma leitura muito prazerosa para mim. Sobre a edição nacional, elogios em relação a capa e o projeto gráfico. A capa é belíssima, adaptada do original e com o título brilhoso. Um luxo. E há outros detalhes caprichados na diagramação: a primeira folha negra com a lua, cada capítulo começando com uma página especial onde o texto toma uma forma inclinada.


