Quero começar dizendo que esse foi o livro mais imprevisível do trimestre. Eu não fucei o site da autora (coisa que geralmente faço antes de ler) nem fui atrás de criticas (coisa que não faço mesmo, sendo sincera), por isso não tinha expectativas ao desenrolar da história. Só queria ler o livro e ponto!
Enfim, dificilmente você vai enxergar onde esse livro vai dar sem tomar uma dose de spoiler antes.
A Juliette está presa em um manicômio há exatos 264 dias. Ela diz que não é louca. Ok, os loucos vivem dizendo isso. Sinceramente, temos que passar mais tempo com Jullie para perceber que ela de fato, não é louca, só uma forte candidata à vaga. O mundo onde ela vive está basicamente desmoronando, com plantas e animais envenenados, as pessoas passando fome, racionando água e energia, onde nem os pássaros voam mais. O Restabelecimento tomou para si a responsabilidade de levar a humanidade para um futuro melhor, disse que as medidas extremas que estavam sendo tomadas (exclusão dos fracos e indefesos em prol dos fortes) seriam passageiras. Disseram que o mundo seria um lugar melhor.
A gente sabe que nunca é bem assim.
A garota começa o livro num estado crítico de confusão mental. Não apenas pelo cativeiro, mas por toda a bagagem emocional que não sai das suas costas. Juliette sempre foi uma pária, a esquisita, o tipo de pessoa que faz sua mãe te dar bronca só por cumprimentar. Todos sabem que ela só causa mal e até seus pais aceitaram de bom grado que ela fosse levada para o manicômio. Achei essa parte interessante, pois Juliette não se esquece disso também, né!. Se formos reparar, muitos YAs atuais apagam pessoas da vida de seus personagens, já que, numa situação plausível, eles atrapalhariam a liberdade da história: quase sempre são os pais. Mafi os manteve bem vivos na memória de Julie, como um lembrete de sua monstruosidade.
Até Adam entrar em sua vida.
Brincadeira. Não podia ser mais diferente. Enfiaram um garoto pitél em sua cela, um garoto que ela já conhecia, um garoto que poderia muito bem matá-la.
Ou terminar de enlouquece-la.
Como desgraça pouca é bobagem, logo surge uma face para o vilão. Warner pitél2 não é muito mais velho que Juliette, mas é completamente seu oposto. Vamos deixar uma coisa clara aqui: Juliette é uma pessoa boa. Ela é tão boa que até irrita, prefere não revidar os maus tratos (mesmo super podendo) por ter horror a machucar pessoas (mesmo as que super merecem).
Esse é um traço da estória que você pode não gostar/concordar, mas tem que se acostumar e entender. Assim como a relação de Juliette + Adam, que floresce numa rapidez épica. Da parte dela são alguns motivos óbvios (mas spoilers demais para o bem dessa resenha), porém não fica claro por que ele está tão apaixonado assim até Julie perguntar. Essa menina é cheia de perguntas.
Gostei muito da construção do Warner. Ele é do tipo cego que só consegue enxergar seu objetivo, os meios são meras casualidades. Cruel até o último fio de cabelo louro e totalmente obcecado pelas habilidades de Juliette, Warner ainda assim conseguiu despertar uma simpatia em mim.
Enquanto à Tahereh? Me apaixonei por sua escrita. Seu estilo. Quem me conhece sabe que sou adepta do Alternativo + Nem Tanto e enjoo rápido de alguns estilos, mas a maneira como Mafi progrediu através da visão de Juliette sobre o mundo, ficou impecável. O tipo de detalhe que torna a leitura mais equilibrada e agradável.
Estou ansiosa por Unravel-Me, segundo volume da trilogia, que sai dia 5 de Fevereiro (um dia de sorte, rs) de 2013 lá nos E.U.A. e ainda não tem capa definida.
Isso é tudo pessoal!
Resenha originalmente postada em desigusson.wordpress.com