As múltiplas facetas da contracultura
O jornalismo literário de Mailer é frenético, excitante e cansativo. A partir de um fluxo de consciência único, o autor traz um relato muito interessante sobre a Marcha Sobre o Pentágono, evento que ocorre durante os protestos contra a Guerra do Vietnã, num momento de ebulição cultural dos EUA. A narrativa, embora frenética, cansa pelo excesso de nomes e descrições, mas não teria como ser diferente. É um bom livro sobre a história dos EUA, que não segue os padrões historiográficos, mas que cumpre um bom papel em ensinar sobre o que foi, e como foi construído um importante evento histórico, do qual o autor foi uma das partes constituintes. Nesses meandros, Mailer de forma beatnik, atenta para “o lixo da história” e para os malucos, no bom sentido, que participaram daquele evento, e também sobre sua experiência, narrada em terceira pessoa, como parte constituinte daquilo tudo, já para além de seus 40 anos de idade.

