Quando me apaixonei por Lady Agatha, há muitos anos, costumava desprezar essa série de 6 romances como "histórias de amor açucaradas". Nada que não pingasse sangue me interessava então.
Hoje, após terminar essa leitura, penso que o livro fala muito mais daquilo que a autora chamava de "natureza humana" que qualquer outra coisa. Ele nos mostra conflitos muito íntimos, e prova que o ser humano é sempre o mesmo; não importa a época ou lugar.
O centro do enredo parece ser mesmo um romance, como é narrado na orelha do livro. Mas não acho que seja apenas isso. A história de Vernon, personagem que acompanhamos desde a tenra infância, é um eterno conflito. Ele é o Gigante. E, independente de sua turbilhonada vida amorosa, ocorre que seu grande gênio artístico não pode ser produtivo enquanto ele estiver feliz em sua vida pessoal.
O livro é narrado num clima de extrema melancolia. Mostra como a juventude britânica da década de 1920 pensava em si nos mesmos moldes que qualquer outra geração: inteligentes, invencíveis...Pelo menos até a guerra. Inclusive, há um trecho narrando a rotina de uma enfermeira voluntária que tenha certeza de ter se inspirado na própria experiência de Agatha. Enfim...dá muito o que pensar.
Dois personagens são inspiradores: Sebastian e Jane. Ela, dá uma aula sobre amar outro ser humano: se sacrifica sem pedido e sem recompensa; e faz o que é mais difícil para quem ama: renuncia.
Não que não haja críticas. Os fatos acontecidos com Vernon após a guerra são um pouco "forçados", uma licença para forçar as atitudes extremadas que os personagens acabam adotando. Mas é perdoável. As últimas páginas salvam esses acontecimentos exagerados.
Enfim, dentro da linguagem tão familiar de Lady Agatha ( para mim, ao menos), é uma obra rica, que terei prazer de reler daqui a alguns anos, e tenho certeza que encontrarei novas facetas nessas personagens.