"Rachel Carson foi, primeiro e acima de tudo, uma escritora com notável estilo literário, cuja verdadeira paixão era o mar." – da introdução de Sue Hubbell Rachel Carson é mais conhecida por Primavera Silenciosa, um dos livros mais influentes do século XX. Mas, ao mesmo tempo que sempre se preocupou profundamente com o ambiente como um todo, sua paixão maior era o mar, razão pela qual muitos leitores consideram Beira-Mar, e outros clássicos de Carson sobre a vida marinha, seus melhores trabalhos. Neste notável livro, Carson explora as regiões costeiras rochosas, as praias arenosas e os recifes de coral, conduzindo-nos a mundos insondados, para revelar a beleza evanescente de uma piscina natural e contar a história de um grão de areia. Com poesia e ciência, ela transforma um animal e uma planta do mar aparentemente simples em criaturas complexas e de fascinante beleza, merecedoras de nossa admiração, compreensão e, certamente, proteção. Este é um livro para ser lido por prazer em qualquer momento e local, sendo também útil como um guia de campo. As descrições de Carson são majestosas.
Beira-Mar -
Rachel Carson
Para compreender o litoral, não é suficiente catalogar suas formas de vida. A compreensão vem somente quando, em pé numa areia, podemos notar as infindáveis oscilações da terra e do mar que esculpiram os contornos do continente e produziram as rochas e a areia que compõem a região costeira; quando podemos perceber, com os olhos e os ouvidos da mente, o ímpeto da vida pulsando na praia - cega e inexoravelmente, buscando onde se apoiar. (Pág.11) Hoje, um pouco mais de terra pode pertencer ao mar, amanhã, um pouco menos. A Beira-mar se mantém sempre com os limites incertos e com uma fronteira indefinível. (Pág.19) A maioria dos animais tropicais é mais sensível a mudanças - especialmente em relação a temperaturas mais altas - do que os animais de latitudes mais elevadas do Hemisfério Norte. Isso talvez se deva ao fato de a temperatura da água em que eles vivem normalmente variar apenas uma poucos graus ao longo do ano. (Pág 33) Diferentemente das plantas terrestres, as algas marinhas não precisam de raízes para retirar minerais do solo, pois são banhados continuamente pelo mar e, assim, vivem em meio a uma solução de todos os minerais de que necessitam para viver. Elas também não precisam de um caule ou tronco rígido para suporte, de modo diverso das plantas terrestres, que utilizam esse recurso para atingir alturas suficientes para alcançar a luz do sol; as algas precisam apenas submeter-se à água. Por isso, sua estrutura é simples - apenas um talo ramificado surgindo do apressório, sem divisões em raízes, caules e folhas. (82) Nenhum grão de areia permanece por muito tempo em um único local. Quanto menor ele for, tanto mais ele é passível de ser transportado por longas distâncias, os grãos maiores pela água, e os menos pelo vento. Um grão de areia médio tem apenas duas vezes e meia o peso de um volume igual de água, mas tem mais de duas mil vezes o peso do ar, de modo que apenas os grãos menores são sujeitos ao transporte pelo vento. Porém, apesar da constante atuação do vento e da água sobre as areias, a praia mostra pequena mudança visível dia após dia, pois enquanto um grão é levado embora, outro e geralmente trazido para tomar o seu lugar. (Pág.121) Uma pequena montanha de areia em movimento pode conter um caracol em atividade predatória. Um rastro em V pode indicar a escavação de um marisco, um rato do mar ou um ouriço coração pequeno. Um rastro achatado, em forma de fita, pode conduzir a uma bolacha da praia ou uma estrela do mar. E qualquer lugar plano protegido, de solo arenoso ou de lama arenosa, que fique exposto entre as marés, pode estar cravejado de pequenos orifícios. (Pág.126)
Estatísticas
Avaliações
3.7 / 12- 5 estrelas33%
- 4 estrelas42%
- 3 estrelas8%
- 2 estrelas17%
- 1 estrelas0%
