Não verás país nenhum -

    Ignácio de Loyola Brandão

    Global
    1996
    356 páginas
    11h 52m
    ISBN-10: 852600199X
    Português Brasileiro

    Ficção que descreve como será a cidade de São Paulo no futuro. O autor conta a vida de Souza, um paulista que vive no meio do caos da cidade, destruída pelos avanços tecnológicos, onde não há água, verde, vida saudável e muito menos liberdade. Durante muitas décadas a poesia "A Pátria", de Olavo Bilac, foi lida, decorada e recitada pelas crianças brasileiras. Os versos iniciais diziam: "Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!/ Criança! Não verás nenhum país como este!" Não deixa de ser uma ironia cruel encontrar o verso bilaquiano adotado como título (e com seu significado virado pelo avesso) de um dos romances mais devastadores e pessimistas da literatura brasileira, o oposto do róseo otimismo do poeta das estrelas, Não Verás País Nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão. Enquanto gerações de crianças brasileiras recitavam o poema de Bilac, o país (aliás, em sintonia com o mundo) ia acelerando, lentamente, o seu processo de autodestruição, com a devastação das florestas, o acúmulo de lixo, a degradação do meio ambiente, a que se juntou, nos últimos tempos, a destruição da camada de ozônio do planeta, projetando perspectivas sombrias para a humanidade. Romance apocalíptico, no sentido de contar uma história do fim dos tempos, "Não Verás País Nenhum" se desenrola em um futuro não determinado, mas cada vez mais presente na realidade do brasileiro. Uma época terrível, na qual a Amazônia se transformou em um deserto sem nenhuma árvore; onde "O lixo forma setenta e sete colinas que ondulam, habitadas, todas. E o sol, violento demais, corrói e apodrece a carne em poucas horas"; onde a carência de água impõe a reciclagem da urina, bebida pelas pessoas. A administração do país chegou ao caos. Governantes medíocres, cada vez mais afastados do povo, interessados apenas em vantagens pessoais, uma polícia corrupta e assustadora. No meio desse mundo sombrio, uma história de amor, na qual o autor sugere que nem tudo está perdido, pelo menos enquanto o bicho-homem alimentar esperanças e for capaz de gestos de generosidade.

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    Thamyris Assunção  picture
    Thamyris Assunção 16/04/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Incrível!

    Livro excepcional. É espantosa a proximidade dessa leitura com a nossa realidade pandêmica e todo o cenário socioeconômico e político do Brasil desde 2018. A impressão que dá é que Ignácio de Loyola Brandão escreveu essa ficção mês passado já prevendo quais rumos o país pode tomar se seguir nas mesmas rotas (à extrema direita) atuais. Gostei demais de ter contato com uma distopia "à brasileira". Poder imaginar os cenários bem descritos, a angústia de viver em constante alerta, sujeito à fome, frio, violências e controles de toda ordem em lugares pútridos, insalubres, onde o componente humano já não existe tornou a leitura muito especial. Demorei a concluir porque precisava digerir cada página lida, cada detalhe mostrado. Trata-se de uma leitura assustadora em realismo, mas muito necessária para o nosso entendimento enquanto cidadãos que somos, responsáveis por nossas escolhas e interdependentes, socialmente falando. Nunca tinha lido nada do autor e, olha, que experiência excelente. Leiam pra ontem! Dou nota 10 com louvor!

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