A grande comissão -

    Michael Horton

    Editora Cultura Cristã
    2014
    350 páginas
    11h 40m
    ISBN-13: 9788576225157
    Português Brasileiro

    Deus não se fez carne e não sofreu vergonhosa morte pelas nossas mãos para que pudéssemos ter propriedades, programas atraentes e grandes orçamentos para a igreja. Está em andamento algo mais profundo – mais radical. Mas do que se trata? Este livro está dividido em três seções: - A Primeira parte focaliza “A grande proclamação”. A Grande Comissão começa com um triunfante anúncio de que toda a autoridade nos céus e na terra pertence a Jesus Cristo. - A Segunda parte examina “Os termos da missão”, que se acham no centro da Grande Comissão. - A Terceira parte investiga “O plano estratégico”, que Jesus inclui em seu mandato. "Uma rigorosa, mas acessível exegese da Grande Comissão e da cultura ocidental. Diante de pressões sociais os evangélicos recuam no cumprimento de sua missão ou vão em frente com empreendimentos missionários defeituosos, desvinculados da teologia e do discipulado, obcecados com resultados numéricos. Contra esse cenário, Horton nos convoca para recuperarmos o entendimento bíblico de missão e restaurar sua centralidade na vida da igreja. A Grande Comissão contém análise perspicaz e orientação pastoral. Eu o recomendo com entusiasmo." Doug Birdsall, Moderador do Comitê Lausanne para a Evangelização Mundial.

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    Héber Fernandes Negrão18/03/2015Resenhou um livro
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    Uma nova visão sobre a Grande Comissão

    INTRODUÇÃO Na introdução de seu livro Michael Horton nos dá as diretrizes sobre as quais ele fundamentará sua obra – incluindo até um breve esboço do livro no final desta seção. Sua principal preocupação é com a fraca igreja americana que se mostra envolta num pluralismo religioso do secularismo pós-moderno, preocupada mais com práticas religiosas vazias por ter perdido o foco do que realmente é Grande Comissão e como ela pode ser cumprida através dos cristãos, os embaixadores de Deus. PARTE I: A GRANDE PROCLAMAÇÃO Capítulo 1 - Antes Que Você Vá Na ânsia de cumprir a Grande Comissão acabamos por deixar de refletir sobre pontos importantes antes de partirmos para a tarefa da evangelização. O autor alerta que, antes de tudo, devemos entender que a tarefa missionária da Igreja é apenas um reflexo da Missão da Trindade (o Pai envia o Filho, o Filho redime o pecador e o Espírito convence o pecador). Em outras palavras, somos enviados ao mundo, assim como o Filho e o Espírito foram enviados ao mundo. Em nenhum momento devemos perder de vista que Deus é o promotor de Missões e Cristo seu personagem principal. Só estamos habilitados a participar da Missão de Deus porque somos enviados sob a autoridade do Filho. Capítulo 2 – O Êxodo e a Conquista Este capítulo apresenta o que Michael Horton chama de “mapa da história da redenção” e tem o objetivo de apontar a nossa localização em relação à missão de Deus no mundo inteiro. Para isso ele faz um excelente panorama da história bíblica do Antigo e do Novo Testamento tendo como base dois eventos principais: o êxodo e a conquista. Ele mostra como esses eventos foram relevantes no Antigo Testamento e como eles se cumpriram no mandato missionário da igreja no Novo Testamento. Dando continuidade ele apresenta como o Senhor Jesus inaugurou o Reino de Deus com a sua ressurreição, apresentando antes, a visão judaica que os discípulos esperavam deste reino. Achei uma interpretação perigosa, beirando a alegoria, a que o autor fez sobre o “comer e beber” no Reino de Deus (pp.53-54). Entendo que comparações semelhantes foram feitas entre Josué, Moisés e Cristo por eles serem tipos de Cristo. No entanto as regras de interpretação de tipologia não se aplicam ao “comer e beber”, por isso achei estranho. PARTE II: OS TERMOS DA MISSÃO Capítulo 3 – Um Imperativo Urgente A grande comissão é uma tarefa para todos os cristãos, e não apenas para missionários. Isso fica claro quando o autor menciona que cada cristão, em seu ambiente deve usar sua própria vocação para transmitir o evangelho para todas as pessoas. E todos nós estamos amplamente respaldados para isso porque nos fundamentamos na doutrina dos apóstolos, aqueles que foram os primeiros receptores da tarefa missionária. Na segunda parte do capítulo o autor mostra que, através do pluralismo religioso e do inclusivismo, a igreja emergente tende a desvalorizar a fé em Cristo como meio de salvação e endossa o valor único da revelação especial para a salvação dos incrédulos. Particularmente achei muito importante a abordagem que ele fez sobre o perigo da arrogância para nós que possuímos a verdade. Não devemos desprezar a crena religiosa dos outros, mas usar a nossa liberdade para apresentar-lhes a Cristo. Capítulo 4 – Um Só Evangelho, Muitas Culturas A compreensão do Evangelho é tão importante quanto a própria mensagem do Evangelho. Justamente por interpretarmos as Escrituras partindo dos nossos pressupostos culturais é que precisamos levar em consideração a contextualização do Evangelho, a mensagem de salvação explicada de maneira que pessoas de qualquer cultura possam entende-la. Segundo o autor seria um erro importar nossos costumes ocidentais na comunicação do Evangelho, portanto é preciso que todas as culturas sejam colocadas sob a perspectiva das Escrituras na apresentação da mensagem. Outro ponto que vale destacar que a consideração que o autor faz sobre o conceito de encarnação da cultura baseado na doutrina da kenosis do nosso Senhor. A meu ver ele exagera o conceito de encarnação cultural com a doutrina do docetismo e à heresia kenótica. A missiologia moderna aplica este conceito ao missionário vivendo em contexto sociocultural específico (como ele mesmo mencionou) e não necessariamente à mensagem que ele transmite. Portanto deve-se considerar a prática do abnegação e da identificação cultural para que o missionário se identifique e seja aceito pela cultura receptora; em nenhum momento a missiologia moderna sugere adaptar a mensagem do evangelho para ser mais aceita pelo povo alvo. Capítulo 5 – O Objetivo O objetivo principal dos cristãos evidenciado na grande comissão é fazer discípulos. Longe de um processo elaborado por fórmulas e estratégias rígidas, o discipulado prioriza o relacionamento entre o mestre e seu discípulo. De acordo com o autor o livro de Atos nos dá a base para um discipulado cheio do Espirito Santo: é importante que haja o ensino sobre Jesus Cristo, ensino centrado nas escrituras e tudo isso seguido pelo batismo. É muito interessante como o autor compara o desenvolvimento do discipulado com a gramática, dialética e retórica do modelo educacional clássico. O neófito haverá de começar com a gramática, aprendendo princípios elementares da vida cristã e decorando porções do texto bíblico. Tendo se desenvolvido um pouco mais espiritualmente, ele vai se valer da dialética para conectar eventos históricos da bíblia e associar doutrinas. Por fim, como cristão maduro, ele vai usar a retórica para expressar e defender a sua fé cristã testemunhando para os incrédulos. PARTE III: O PLANO ESTRATÉGICO Capítulo 6 – Como Fazer Discípulos Tanto os sacramentos quanto a pregação da Palavra são características da igreja visível e todos eles estão incluídos na Grande Comissão. O que o autor fez neste capítulo foi discorrer sobre cada um desses temas abordando de uma perspectiva missiológica. A importância do sermão foi destacado como o momento em que o próprio Deus ensina e se revela ao seu povo através da exposição das Escrituras. Uma vez que esse livro se propõe a falar sobre missões, Michael Horton poderia ter dado mais espaço para a aplicação transcultural do sermão. Ele continua sendo central no culto, mas a maneira como a Palavra é ensinada publicamente pode variar de povo para povo. Muitas vezes o autor parece colocar os costumes ocidentais como normativos (e até mesmo bíblicos); a exposição do sermão é um bom exemplo disso. Capítulo 7 – Discípulos e Disciplina O discipulado e a edificação da igreja não deve papel apenas do pastor, mas de cada membro. É importante deixar isso claro porque os dons espirituais foram dados a todos os cristãos, com o objetivo de edificar o corpo de Cristo. Esse tema foi amplamente discutido pelo autor e é muito necessário no momento de plantação de igreja no campo missionário onde não existem crentes ainda. Este capítulo é um ótimo manual para o estabelecimento de liderança de igrejas recém plantadas. Aqui o autor deixa claro o papel do pastor e dos bispos, bem como o papel de cada membro comungante. Além disso ele teve coragem para abordar um assunto que poucas pessoas tem tratado: a diferença entre denominações evangélicas e como lidar com essas diferenças doutrinárias. Devemos ser um só corpo, tendo um só batismo e uma só fé. Devemos estar fundamentados nas doutrinas principais do cristianismo. Caso haja alguma divergência em doutrinas secundárias, o amor deve prevalecer. Capítulo 8 – A Grande Comissão e o Grande Mandamento Neste capítulo Michael Horton faz uma excelente exposição do diaconato, apontando suas principais bases bíblicas e mostrando a postura correta de serviço que um diácono deve ter. O diácono foi eleito para servir o corpo de Cristo e cuidar da igreja no ministério da misericórdia, deixando o pastor livre para o ministério da Palavra. Achei muito interessante como o assunto da oferta foi levantado neste capítulo. Se a igreja oferta como uma obrigação ela está longe de entender o principal motivo deste ato. Cada cristão deve ofertar por sentir-se responsável em cuidar uns dos outros. Assim como os dons de cada cristão tem o objetivo de edificar espiritualmente o corpo de Cristo, suas contribuições financeiras tem o objetivo de cuidar fisicamente deste corpo. Horton apresenta muito bem a grande motivação para cuidarmos uns dos outros: porque o próprio Deus é um ser que exerce a mutualidade entre as diferentes pessoas da Trindade. Capítulo 9 – Indo Além do Objetivo Original da Missão Uma das grandes falhas na igreja das grandes cidades é aquela apontada por Newbigin: a dicotomia entre pregar o Evangelho e viver o Evangelho. Muitas vezes a igreja terceiriza sua tarefa missionária para seus obreiros transculturais e ponto de descansar, acreditando que está envolvida na Grande Comissão. No entanto, esquecem que fazer missões não está restrito ao campo transcultural, mas também abrange a vida diária do cristão. O sacerdócio universal de todo o crente, como Newbigin afirma, não deve ser exercido apenas pelo missionário. Como Horton nos mostra, a ordem do cristão não é apenas de viver o Evangelho, mas de pregá-lo. A expressão verbal das verdades do Evangelho será útil para que não cristãos conheçam o motivo de sua perdição e como podem alcançar a salvação. A igreja precisa voltar urgentemente para as Escrituras e acautelar-se para não cair nos desvios da Missio Creep. Capítulo 10 – Até que Ele Venha Nada melhor do que chegar ao fim da exposição da Grande Comissão cientes da promessa de que o Senhor Jesus, através do Espírito Santo, estará com a sua igreja para sempre. Com o Espírito Santo presente a igreja terá o poder e a ousadia para testemunhar, não importa quais adversidades lhe sobrevenham. Ela também estará habilitada para cumprir a Grande Comissão se descansar e depender tão somente o Espírito Santo submetendo-lhe todas as estratégias e os planos traçados. Por fim, não poderemos cumprir a grande comissão se não tivermos a plena certeza de que estamos por aqui de passagem. Somos peregrinos em terra estranha, vivendo temporariamente neste mundo apenas para cumprir o mandato de Cristo

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