Maravilhoso, mas não tão soberano
O livro de Aydano André Motta propõe-se a contar-nos, tal como ocorre no título, Histórias da Beija-Flor, tradicional agremiação do carnaval carioca. O livro cumpre ao que se presta, e as histórias trazidas por Motta dão destaque a personagens que se consagraram junto ao G.R.E.S Beija-Flor de Nilópolis. Acredito que a união de um ótimo trabalho de pesquisa à escrita apaixonada e familiar de Motta dão um tom saboroso ao livro, que é bastante curto, o que me levou a lê-lo em algumas horas. Outro ponto que considero um acerto são as excelentes fotos que ilustram o livro em seu início. O ponto que julgo negativo ao livro é a tentativa, talvez mesmo involuntária, de propagar admiração a figuras dúbias do carnaval, como é o caso do patrono da Beija-Flor, Sr. Anísio Abrahão David. Obviamente, a par da relação que as escolas de samba guardam com a contravenção, minha crítica não se trata de um puritanismo; é, em verdade, uma análise discursiva. No meio literário, é possível apresentar uma figura a partir de diferentes pontos de vista e, ao fazer-se uma escolha, direciona-se o leitor a uma construção simbólica, nesse caso, de herói [ainda que se abordem suas falhas]. Por outro lado, entendo que a proximidade do autor com as personagens nilopolitanas tenha influenciado o tratamento dado a algumas delas [no caso, o Sr. Anísio]. Por fim, acredito que o livro, de 2012, poderia ter uma nova edição, presenteando o leitor que admira o mundo do samba com um pouco mais das histórias da Beija-Flor em meio ao atual paradigma verificado nos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.
