O que aconteceria se fatos de um livro de suspense se tornassem reais? E se os monstros de sua infância voltassem a te atormentar? Ou se fatos históricos aparentemente irrefutáveis fossem mentira? Convido você a mergulhar em um mundo onde o real e o imaginário fundem-se. Assim é A Casa Maldita e Outros Contos. Então feche bem a suas portas. Ligue todas as luzes da sua casa. E mais uma coisa eu lhe recomendo, se ouvir passos por sua casa durante a noite e rangidos de portas e de velhas tábuas, se prepare, pois os monstros que imaginamos serem de mentira podem ser mais reais do que pensamos.
A Casa Maldita -
Igor Rangel
A CASA MALDITA reúne 11 contos de IGOR RANGEL. O foco, como se percebe pelo título, é o horror. Começo pela capa, que é realmente bonita, mostrando o assoalho com marcas de pancadas, que bem poderiam ser de martelo, ou mesmo, cabeças de prego... A qualidade da impressão também é positiva. O que não gostei, foi na contracapa e segunda orelha, pois as letras estão grandes demais. Outro fato curioso, é que na segunda orelha, consta a notícia de que o conto A MÁQUINA, será incluso em uma antologia com outros autores. Mas, isso já aconteceu em 2012. E a A CASA MALDITA é de 2013... Outro negócio curioso: este mesmo conto, já está neste livro... aliás, é o último... O livro tem o formato grande, mas com 116 páginas. Este formato fica bom, quando tem-se no mínimo 200 páginas. A diagramação, é com letras pequenas. Não é ruim em hipótese alguma. Mas no formato da publicação, a fonte poderia ser maior. O espaçamento das entrelinhas é muito bom. As páginas são aquelas meio amareladas. E isso dá um charme especial. O visual do miolo é acompanhado por umas páginas escuras, que me parecem salpicadas de sangue. Isso é interessante, mas acho que fica carregado demais. E dá a impressão de não ser um livro, mas um fanzine. Com certeza há quem adore isso. Mas, outros não vão gostar. Claro que é para dar um clima de horror... mas aí vai de cada leitor... Mas... e os contos? Bom, o que mais gostei neles, é o fato de que são genuinamente brasileiros. Ambientação nacional. Algo que faz uma falta tremenda para muita gente.E que diversos autores nacionais ignoram. No caso do Rangel, ele escolheu o caminho certo, pois a identificação dos lugares (ainda mais para quem nesse locais reside) é muito interessante. É uma visão que de certa forma, torna-se novidade para o próprio leitor brasileiro. Os enredos são outra história... Tratam do cotidiano de pessoas comuns. E isso é ponto positivo. Mas, as aventuras em si, nada tem de estupendo. Não pelo fato de ser com as ditas pessoas do cotidiano. Mas por que falta algo para impulsionar. Dar gás a ação e pensamento. A meu ver, o autor precisa mergulhar ainda mais profundo para criar enredos. Não me refiro a algo complexo, mas sim, uma estrutura que faça os leitores se agarrarem com afinco na narrativa. Aliás, falando em narrativa, a mesma tem alguns problemas, como o excesso de repetições seguidas. E isso em textos curtos, é algo que incomoda. Também o autor deveria fazer maior uso de sinônimos. Tem algumas frases muito boas. Mas que infelizmente, perdem o brilho devido ao restante do texto. Também um dos contos, tem uma passagem pesada, onde partes de crianças estão sendo usadas como alimento. Confesso que ali, senti um frio na barriga. O autor neste ponto, teve sucesso em fazer o terror aparecer. E o pessoal da editora Literata, devia fazer uma melhor revisão. Pois existem alguns erros feios. Não são muitos. Poucos na verdade. Mas estes mostram-se claramente. E voltando a narrativa do autor. Em alguns contos, as falas dos personagens, são seguidas do narrador sem o uso de travessão. E por isso, acaba por ficar confuso. Mas não é algo que faça realmente se perder. Porém, separar personagem de narrador é crucial. Em um conto, há uma falha com duas falas seguidas de uma personagem. Pode até não ser. Mas o ideal, seria colocar então uma frase do narrador ou a fala do outro personagem. Ou então, ter deixado tudo como um único parágrafo. Achei estranho uma mensagem de um conto, onde a mãe fala sobre o nome, idade, profissão e o fato da filha ser solteira. Ou seja, simplesmente deixar uma mensagem no apartamento a venda. Dá a fácil impressão de que ela quer se livrar, vender ou simplesmente prostituir a filha... Mas isso, claro, é somente comentário pessoal, nada a ver com algo técnico. O bacana é o fato de que o conto que dá título ao livro, tem duas partes. Isso é chamativo. E claro, criativo, já que está dentro do mesmo livro. Mas seria ainda mais bacana, se estivesse em uma nova coletânea. Enfim... acho que chega... Na minha humilde e sincera opinião, A CASA MALDITA é um livro para leitores de primeira viagem. Para quem está ingressando no fantástico mundo da literatura. Pois leitores avançados, podem não concluir a leitura, ora pela simplicidade, ora por quaisquer outros motivos. Mesmo com aquela cena forte das crianças sendo devoradas, o livro é uma boa opção para quem realmente está a procura de um ponto de partida para a leitura.
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