O décimo quarto número da revista História da Historiografia apresenta uma mudança: a ausência do dossiê, que a partir de 2014 será publicado somente no último exemplar do ano, lançado em dezembro. Essa opção permitirá uma melhor distribuição dos artigos livres, evitando a demora na publicação dos mesmos. Além disso, acreditamos que valorizará o próprio dossiê. Conforme a compreensão comum, um dossiê temático reúne um conjunto de textos originais sobre assunto previamente definido, de modo a destacar contribuições significativas sobre o mesmo. E, em meio a um cenário de ampliação, profissionalização e diversificação das pesquisas, observando-se, inclusive, o crescente interesse por temas de estudo não brasileiros, torna-se cada vez mais difícil acompanhar aquilo que é produzido dentro e fora do país. Uma das formas de auxiliar esse acompanhamento é o incentivo à publicação de resenhas, sobretudo as críticas, que fomentam o debate e sinalizam problemas relevantes para o campo. De modo semelhante, o dossiê temático também contribui, na medida em que consiga evidenciar não apenas as pesquisas significativas sobre um dado tema, mas as controvérsias suscitadas pelo mesmo. Evita-se, desse modo, que seja meramente utilizado como espaço para afirmar um lugar de fala ou um ponto de vista sobre a questão, algo que, a nosso ver, reduz seu papel crítico. Esperamos, portanto, contribuir para a valorização do dossiê tornando-o menos frequente, mas mais aprofundado e capaz de apontar temas e problemas relevantes para o estudo da história em geral e da historiografia, em particular. Além disso, os artigos livres, obtendo mais espaço na revista, terão maior visibilidade, como demonstra o presente número. O artigo de Moisés Antiqueira oferece uma reflexão sobre a noção de causa no âmbito dos estudos históricos, a partir dos “esquemas explicativos” observados nos trabalhos de dois historiadores ingleses: Perry Anderson e Moses Finley, particularmente. Já o texto de Daniel Estudante Protásio contribui para o estudo das relações de Francisco Adolfo de Varnhagen com o meio historiográfico português, focalizando suas discussões com o visconde de Santarém. Dando continuidade a uma série de artigos que problematizam o trabalho de historiadores, Thiago Lima Nicodemo identifica “mecanismos temporais” subjacentes à obra de Sérgio Buarque de Holanda, tecendo relação entre os mesmos e o processo de especialização e profissionalização do autor como historiador. O artigo de Heitor Pinto de Moura Filho focaliza a recepção do livro Time on the Cross: The Economics of American Negro Slavery (1974), dos norte-americanos Robert W. Fogel e Stanley L. Engerman. Obra que teve ampla repercussão e representou uma mudança de paradigma para a historiografia da escravidão. O texto de María José Ortiz Bergia oferece um panorama da historiografia argentina nas últimas três décadas, destacando a produção acadêmica das universidades do interior do país. Para enfrentar tal tarefa, a autora focaliza os estudos no campo da história social, observando o quanto o uso de escalas espaciais de análise contribui ou não para uma reflexão acerca do que fazem os historiadores argentinos, em contraste com os estudos sobre a história argentina construídos de um ponto de vista nacional, a partir da capital.
