Piracicaba, 1964 - O Golpe Militar no Interior”

    Beatriz Vicentini

    Unimep
    2014
    382 páginas
    12h 44m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    “Porque a regra do Direito é a força”: impressões sobre o ordenamento jurídico brasileiro na ditadura militar, do autoritarismo à herança da impunidade; -Passeatas, prisões, tortura, cassação. Piracicaba teve tudo isso, sim!; -Piracicaba sai às ruas: a Marcha pela Família e o protesto dos estudantes; -A cruz, a farda e a traição; -No chão de fábrica e nas salas de aula, a mesma intolerância; -Militares: revolução necessária e continência ao GCan; -O golpe militar de 1964: referência na demarcação ideológica da UNIMEP; -Histórias vividas, histórias desconhecidas; -Pelo buraco da fechadura, na rua ou na missa: todos observados; -Informantes duvidosos, cidadãos desprotegidos: cuidado com os comunistas!; -As duas semanas em que Piracicaba foi da UNE...e dos agentes da repressão.

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    José Benedito Vizioli Libório03/07/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    UM LIVRO COM UMA TRAJETÓRIA ÍMPAR

    Talvez poucos livros tenham percorrido uma trajetória tão "torta" com Piracicaba, 1964. Inicialmente previsto para ser publicado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba teve a publicação recusada pelo mesmo instituto sem que os motivos tivessem sido suficientemente claros para a comunidade o que gerou uma grande especulação acerdo do porquê dessa desistência. O fato é que foi feita uma campanha no site "Kickante" foram obtidos recursos suficientes para a edição planejada e mais um excedente. Do total, 200 cópias foram doadas à escolas públicas o que ampliará o alcance da obra que obteve a luxuosa chanchela da Editora UNIMEP. Quando a obra chega, mais do que causar espanto pelas pretensas revelações que poderia conter, na verdade nos fez pensar ou repensar o quanto o microcosmo piracicabano foi reprodução do macrocosmo brasileiro com as especificidades que se possa imaginar. Digna de uma rede da Stasi, foi criado um circuito (se podemos chamar assim) de colaboração com os órgãos de repressão que alijou da vida acadêmica, pública e do trabalho, incontáveis cidadãos, inclusive um prefeito da cidade. No entanto, cumpre dizer, que a obra atesta o vigor de uma retomada de práticas democráticas através, principalmente, da UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba) que sediou eventos que colocaram a cidade na mira dos órgãos de informação como, por exemplo, os congressos da UNE (União Nacional dos Estudantes) então proscrita e de reitorados absolutamente importantes com o do Prof. Elias Boaventura que, obviamente, não escapou da sanha difamatória de uma comunidade imersa na ditadura mas que manteve-se e fortaleceu-se cumprindo seu papel de afiançar grandes momentos de questionamento do regime vigente e suas censuras e "permissões". O livro, por essa e outras razões demonstrou dois fatores absolutamente imprescindíveis ao meu ver: 1. desnudou uma percepção que Piracicaba escapou às duras condições da Ditadura brasileira o que seria impensado apesar de largamente difundido. A história que muitos não conseguem conciliar talvez com suas consciências, interesses ou vacilações, sempre virá à tona e será luzeiro de esclarecimento à sociedade. 2. Que quando ao menos uma camada da sociedade decidir unir-se em torno do esclarecimento da verdade histórica, a união contra a injustificada ocultação da mesma não triunfará, ao contrário servirá de incentivo para que mais e mais saibam e conheçam fazendo julgamento que consideram necessário. Lamentavelmente , pese os avanços que as Comissões da Verdade têm feito, não temos nossos torturadores e seus chefes, presos sendo que muito deles não verão a luz da justiça que negaram às suas vítimas. Que esse livro nos sirva de farol e guia.

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