Arrepio, convocação suave, escapando das raízes abraçado pela umidade cálida de um pingo de tempo. Tremor, avassalamento turbilhonante. Tempo indômito. Plenitude vazia terrível. Insustentável força esmigalhando, criando, Abate vivificando. Música calada de uma garganta encarnada de mistério. Broto e centre sem distância ou proximidade. Qual distância seria necessária para falar o que (re)vela? Indizibilidades aguardam nos portais. Unidade, multiplicidade, uma elevando-se para um infinito, outra estendendo-se para outro infinito. Amor? tempo? Palavras, palavras, que tens com o tempo? O que te deve o Tempo para dar-te o direito de convocá-lo nestas paragens de perdições e encontros? Tempo, Tempo, como abordar-te nesta sua sem-distância: Como tornar-te desprovido de carnes e nervos para dourar-te com a fina flor de um conceito? O Tempo abordado é o mesmo que estranha, volteia, bate como martelo ou acarinha com sedosa pele? Apenas o Texto pode ousar. E, ousando, coloca uma retirada onde o leitor pode fazer morada. Leitor, tão escritor quanto quem escreve, talvez mais: pela sua prudência em silenciar. [extraído da orelha do livro] http://www.jorgeveschi.com.br

