Sonho de Uma Noite de Verão e O Mercador de Veneza -

    William Shakespeare

    Melhoramentos
    1955
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Numa noite de verão, num bosque, quatro jovens enamorados encontram-se e desencontram-se: Lisandro ama Hérmia que ama Lisandro e é amada por Demétrio, que é amado por Helena; depois, Demétrio ama Helena, que ama Demétrio e é amada por Lisandro, que é amado por Hérmia. Na manhã seguinte, tudo se resolve, e há um casamento triplo, pois casam-se também o Duque de Atenas e a Rainha das amazonas. Na festa, no palácio do Duque, apresenta-se uma peça de teatro amador, escrita e encenada por trabalhadores locais. É hilariante de tão ruim a "comédia trágica", que teve ensaio naquela noite de verão, naquele bosque, habitado por fadas e duendes que têm seu Rei e sua Rainha, que disputam a guarda de um menino indiano, e por isso esta Rainha apaixona-se, naquela noite de verão, por um mortal com cabeça de burro.

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    Clio picture
    Clio08/04/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Outra obra que me faz pensar que Shakespeare escrevia tudo bêbado, no mínimo. Sonho de uma Noite de Verão é uma das comédias românticas mais populares do bardo, tanto por seu ambiente irreal quanto pelos versos. Mas, o que deve se manter em mente ao lê-lo é que o autor era patrocinado pela corte real inglesa, a mesma que ele se esforçava em agradar ao mesmo tempo que escondia sua zombaria. Há várias subtramas que compõe o fio narrativo dessa peça, temos a principal com o casamento de Teseu e Hipólita, o drama entre o quadrângulo Hérmia, Lisandro, Demétrio e Helena, a representação dos artesão e as duas cortes de Titânia e Oberon. Como, então, criticar a própria mecena sem ser acusado de traição? Transformando toda a sua crítica em uma grande piada mitológica. Criticar a guerra velada pelo matrimônio da Rainha Elizabeth? Vamos colocar Titânia e Oberon separados. Apontar a homossexualidade e pedofilia rompante nas monarquias inglesas e francesas? Vamos colocar uma criança indiana como objeto de disputa. Que tal zombar da incipiente burguesia europeia que se atirava em busca das regalias reais? Esse é o papel da trupe de artesãos. Claro, essa é uma forma extremamente irônica de analisar essa peça... mas, não consigo ver de outra forma um trabalho em que a única parte verdadeiramente romântica acontece no que seria a quebra da quarta parede com a peça-sobre-peça de Piramo e Tisbe, e uma rainha se apaixonando por um homem com cabeça de burro. Recomendo.

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