Um modelo medieval de aplicação da lógica à moral: a Ética de Pedro Abelardo é um texto altamente provocante. Coloca-nos em contato com um personagem do século XII, em plena Idade Média, a nós que, segundo muitos pensadores, já passamos pela modernidade e nos situamos no pós moderno. Logo de cheio, o primeiro desafio. O que tem a nos dizer sobre ética um medieval? Marcio afirma-nos que Abelardo tem muito a nos dizer. Não pelo que dele, em geral, já ouvimos contar: seu envolvimento amoroso com Heloísa, a bela e destemida sobrinha do cônego Fulbert, o que lhe custou muito caro. Mas pelo que Abelardo representa como pensador, na história do Ocidente. Escreve Marcio: "... por detrás de uma problemática de aparência exclusivamente medieval, afloram questões básicas da ética, tais como as relações entre indivíduos e o coletivo, a natureza da culpa e do mérito, a função ética da recompensa e da punição, o significado moral da responsabilidade e da liberdade etc." Todas essas questões estão, hoje, na ordem do dia. Sentimos, hoje, o desafio de repensarmos os fundamentos éticos do nosso existir e do nosso conviver, pois antigos valores se desfazem de maneira ruidosa, inquietante e desorientadora. Abelardo e sua Ética têm, pois, algo a nos dizer. O livro de Marcio é, portanto, de uma atualidade inconteste. Abra o livro e ponha-se a lê-lo. Vale a pena. Tiago Adão Lara.