Sheila Jeffreys definitivamente pode ser definida como irreverente e subversiva.
Me interesso muito por livros nessa perspectiva de análise político-histórica da existência lésbica, principalmente por autoras como Sheila que são amplamente criticadas e descartadas pela teoria queer nos tempos atuais (preciso ler para saber se concordo ou não, óbvio).
A autora faz um apanhado histórico interessante, ela traz fatos que eu não conhecia e perspectivas conflitantes de diferentes autoras ao longo do tempo, o que acaba somando muito para a construção da sua argumentação. Mas sinceramente, não há como negar o aspecto parcial de sua análise, estruturando sua crítica à partir de uma opinião rígida e um tanto injusta com a história lésbica que conhecemos.
O que pessoalmente me incomodou muito foram suas críticas à historicidade das vivências butch/femme como se fosse uma coisa só e inteiramente artifícios do patriarcado. Onde está o lugar da sobrevivência lesbica histórica? Onde está o reconhecimento do afeto?
Outra crítica é o ponto principal do livro, a dinamicidade da sexualidade lésbica dentro da lógica heterossexual. Ela traz muitos argumentos que eu concordei demais, mas também acaba caindo na mesma rigidez de regras que por vezes mais limita do que dá lugar ao desejo.
De forma geral, foi uma leitura muito rica e eu destaquei vários e vários trechos que vou levar comigo com certeza! Mas nunca podemos deixar de manter nossa própria crítica, principalmente levando em conta o contexto atual que não se adequa tão bem à perspectivas por vezes ultrapassadas.