Este ensaio estuda a dimensão da cultura nas relações internacionais. Considera-se que a cultura é, de fato, importante para as relações internacionais. Ela se deslocou da periferia para o centro dos debates internacionais, a partir dos anos 1990, por meio de Katzenstein (1996), Lapid e Kratochwil (1996), Hudson (1997), Wendt (1987, 1989), Onuf (1989), Huntington (1997), Harrison e Huntington (2002). Já os fundamentos antropológicos da cultura aplicados às relações internacionais apóiam-se nos clássicos da Antropologia – Malinowski, Boas, Benedict, Mead e Levy-Strauss. Seguindo o raciocínio empírico proposto, torna-se possível comprovar os efeitos e a influência da cultura e estabelecer o conceito de Antropologia das Relações Internacionais, como o campo do estudo da cultura no âmbito das relações internacionais. Nesse sentido, apresenta-se a seguinte proposição: A dinâmica da cultura atua sob diferentes aspectos e dimensões em todas as esferas das sociedades internacionais, interagindo como um composto de vários elementos estruturais de base no processo das relações internacionais. Ora a cultura atua como base das relações, ora exerce um papel ou uma função, ora produz um efeito ou impacto, ora expressa influência ou relação, ora delineia dimensão ou configuração de relacionamentos, ora agrega valores e traça caminhos estratégicos, ora determina ou norteia comportamentos específicos na arte de relacionar em nível transnacional.
