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    A festa da insignificância -

    Milan Kundera

    Companhia das Letras
    2014
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9788535924664
    Português Brasileiro
    3.6
    2193 avaliações
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    Passados mais de dez anos da publicação de seu último romance, Milan Kundera - um dos maiores escritores vivos - volta à ficção com uma trama breve e espirituosa ambientada em Paris nos dias de hoje. Autor de romances, volumes de contos, ensaios, uma peça de teatro e alguns livros de poemas, Milan Kundera, nascido na República Tcheca e naturalizado francês, é um dos maiores intelectuais vivos. Ficou especialmente conhecido por aquela que é considerada sua obra-prima, A insustentável leveza do ser, adaptada ao cinema por Philip Kaufman em 1988. Vencedor de inúmeros prêmios, como o Grand Prix de Littérature da Academia Francesa pelo conjunto da obra e o Prêmio da Biblioteca Nacional da França, Kundera costuma figurar entre os favoritos ao Nobel de Literatura. Seus livros já foram traduzidos para mais de trinta línguas, e há mais de quinze anos o autor tem sua obra publicada no Brasil pela Companhia das Letras. Em 2013, o mundo editorial se surpreendeu com um novo romance de Kundera, que já não publicava obras de ficção desde o lançamento de A ignorância, em 2002. A festa da insignificância foi aclamado pela crítica e despertou enorme interesse dos leitores na França e na Itália, onde logo figurava em todas as listas de best-sellers. Lembrando A grande beleza, filme de Paolo Sorrentino acolhido com entusiasmo pelo público brasileiro no mesmo ano, o romance de Milan Kundera coloca em cena quatro amigos parisienses que vivem numa deriva inócua, característica de uma existência contemporânea esvaziada de sentido. Eles passeiam pelos jardins de Luxemburgo, se encontram numa festa sinistra, constatam que as novas gerações já se esqueceram de quem era Stálin, perguntam-se o que está por trás de uma sociedade que, em vez dos seios ou das pernas, coloca o umbigo no centro do erotismo. Na forma de uma fuga com variações sobre um mesmo tema, Kundera transita com naturalidade entre a Paris de hoje em dia e a União Soviética de outrora, propondo um paralelo entre essas duas épocas. Assim o romance tematiza o pior da civilização e lança luz sobre os problemas mais sérios com muito bom humor e ironia, abraçando a insignificância da existência humana. Mas será insignificante a insignificância? Assim Kundera responde a essa questão: "A insignificância, meu amigo, é a essência da existência. Ela está conosco em toda parte e sempre. Ela está presente mesmo ali onde ninguém quer vê-la: nos horrores, nas lutas sangrentas, nas piores desgraças. Isso exige muitas vezes coragem para reconhecê-la em condições tão dramáticas e para chamá-la pelo nome. Mas não se trata apenas de reconhecê-la, é preciso amar a insignificância, é preciso aprender a amá-la". "Um livro leve como as plumas que voam. O autor de A brincadeira se diverte e oferece a seu leitor uma festa da inteligência. Um romance que finge a leveza para voar ainda mais alto." - Le Monde "Breve e encantadora comédia humana... Uma paródia deliciosa e feroz do stalinismo... Kundera é um singular perscrutador de almas... Ele nunca tinha se lançado tão fundo na espiral do conformismo, nunca se viu a verdade tão ironicamente imolada sobre o altar da opinião. Neste romance de sedução fleubertiana, sem culpa ou lições, a insignificância se revela como a própria essência da vida." - La Repubblica "Kundera é um dos poucos grandes escritores vivos. E quando digo poucos, quero dizer que dá para contá-los em uma só mão." - Roberto Calasso, editor de Kundera na Itália "Por que será que Kundera é um dos poucos grandes escritores vivos, essa verdade inquestionável? Porque para ele, entre a filosofia e a literatura não há diferença. Exatamente como em Montaigne, Rabelais, Sterne, Diderot, Kierkegaard, Nietzsche, Musil, Broch... Narrativa? Ensaio? Literatura? Filosofia? Por que perder tempo definindo se no fundo se ocupam apaixonadamente da mesma coisa? Kundera celebra a fragilidade de todas as emoções, incluindo o luto, a alegria e a beleza." - Il Corriere della Sera Best-seller nº 1 na França e na Itália, com mais de 200 mil exemplares vendidos nos primeiros dois meses.

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    Keylla Wittmann picture
    Keylla Wittmann11/08/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Leve como uma pluma de perdiz ou de um anjo

    Após conhecer o belíssimo " A insustentável leveza do Ser" decidi que conheceria todos os títulos de Milan Kundera. Ninguém nunca falou de amor como ele, e seus textos filosóficos(nesta obra, Kundera referencia Kant e Schopenhauer) me fizeram ser fã desse escritor tcheco agora cidadão francês. Quando soube do lançamento após um hiato de 14 anos corri para adquirir meu exemplar. A festa da insignificância é como um bate-papo entre amigos num fim de tarde. O pano de fundo é a cidade de Paris, logo recomendo a trilha sonora do filme da Amélie Poulain e um bom vinho (ou talvez um armanhaque, como o adquirido por Rámon, um dos amigos que protagonizam a história) para acompanhar o leve diálogo entre os personagens. O autor coloca em cena quatro amigos parisienses que vivem numa deriva inócua, característica de uma existência contemporânea esvaziada de sentido. Os amigos constatam que as novas gerações já se esqueceram de quem era Stálin, perguntam-se o que está por trás de uma sociedade que, em vez dos seios ou das pernas, coloca o umbigo no centro do erotismo. Profundo, ironicamente conformista, Kundera transita com naturalidade entre a cidade de Paris de hoje e sua vida esvaziada e a União Soviética de outrora, traçando um paralelo entre essas ambas as épocas e parodiando o stalinismo. Seu romance problematiza o pior da civilização e ilumina problemas da humanidade e do mundo, porém o faz com delicioso humor, mostrando com lirismo a insignificância da existência humana. Um dos pontos altos do livro são as conversas imaginárias com a mãe desaparecida de um deles. Ao narrar como ela se sentia na gestação deste personagem (páginas 94-95) me fez lembrar, pelo tema e pelo gesto crispado, o quadro O Hospital Henry Ford ou A cama voadora, de 1932 da Frida Kahlo. Só me fez querer caminhar sem compromisso, com pensamentos soltos, pelas ruas e parques de capital francesa. Torcer para que esta obra, não seja a última valsa de Kundera. ----------------------------------------------------- Considerações: - O livro foi publicado na França no ano passado e causou alvoroço no mundo editorial, pois o autor não publicava obras de ficção desde A Ignorância, lançado em 2002. - Amo o que envolve a França e Kundera, então, esse livro foi uma rara experiência. - Leitura leve e rápida. Li em torno de 2 horas. (Porém, não digo que é de fácil entendimento) - É melhor ou pior que "A insustentável leveza do ser" ? Cada livro é único. Leia. Porque é um Kundera. A insignificância, meu amigo, é a essência da existência. Ela está conosco em toda parte e sempre. Ela está presente mesmo ali onde ninguém consegue vê-la: nos horrores, nas lutas sangrentas, nas piores desgraças. Isso exige muitas vezes coragem para reconhecê-la em condições tão dramáticas e para chamá-la pelo nome. Mas não se trata apenas de reconhecê-la, é preciso amar a insignificância, é preciso aprender a amá-la.

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    Milan Kundera

    Milan Kundera é um autor tcheco. Nascido no seio da erudita família de classe-média do senhor Ludvik Kundera (1891-1971), um pupilo do compositor Leoš Janáček e um importante musicólogo e pianista, o cabeça da Academia Musical de Brno de 1948 à 1961. Kundera aprendeu a tocar piano com seu pai. Posteriormente, ele também estudou musicologia. Influências e referências musicológicas podem ser encontradas através de sua obra, a ponto de poder-se encontrar notas em pauta durante o texto. O autor completou sua escola secundária em Brno, em 1948. Estudou literatura e estética na Faculdade de Artes da Universidade Charles mas, depois de dois períodos, transferiu-se para o curso de cinema da Academia de Artes Performáticas de Praga onde realizou suas primeiras leituras em produção de scrpits e direção cinematográfica. Em 1950, foi temporariamente forçado a interromper seus estudos por razões políticas. Neste ano, ele e outro escritor tcheco - Jan Trefulka - foram expulsos do Partido Comunista Tcheco por "atividades anti-partidárias". Trefulka descreveu o incidente em uma de suas novelas, Kundera usou o incidente como inspiração para o tema principal de seu romance A Brincadeira, de 1967. Em 1956, porém, Kundera foi readmitido no Partido Comunista. Em 1970, porém, foi novamente expulso. Kundera, assim como outros artistas tchecos como Václav Havel, envolveu-se na Primavera de Praga de 1968. O período de otimismo, como se sabe, foi destruído no agosto do mesmo ano pela invasão soviética com exercito do Pacto de Varsóvia à Tchecoslováquia. Kundera e Havel tentaram acalmar a população e organizar um levante reformista frente ao totalitarismo comunista da União Soviética. Permaneceu neste intento até desistir definitivamente, no ano de 1975. Vive na França desde 1975, sendo cidadão francês desde 1980. Seus romances geralmente tratam de escolhas e decepções. Em seus livros é recorrente a crítica ao regime comunista e à posterior ocupação russa de seu país, em 1968, quando foi exilado e teve sua obra proibida na então Tchecoslováquia. Entre outros prémios, Milan Kundera recebeu, pelo conjunto da sua obra, o "Common Wealth Award" de Literatura (1981) e o "Prémio Jerusalém" (1985). Sua obra principal, "A Insustentável Leveza do Ser" ganhou em 1988 uma adaptação para o cinema, sob a direção de Philip Kaufman e com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin no elenco. Recebeu 2 indicações ao Oscar e reconhecimento mundial. Desde então Milan Kundera nunca mais autorizou a adaptação cinematográfica dos seus romances.

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    Milan Kundera