Sub-verso versus super-verso
O segundo livro de poemas do autor Charles Marlos, "Sub-verso", pela Editora Patuá, lançado em maio de 2014, tem um título instigante, pela sua duplicidade. Sub-verso pode remeter a algo subversivo, mas tenho a impressão de que ele é menos subversivo do que se pode supor. Por outro lado, "sub-verso" quer dizer algo abaixo do verso, uma poesia malfeita e, também desta vez, a coisa está errada, porque o livro é um primor. Eu o chamaria de "super-verso". As delícias do livro começam pelos títulos dos primeiros poemas. São versos ou frases de obras de porte, de autores que vão desde Walt Whitman ao contemporâneo e badalado Zigmunt Bauman. É claro que a escolha desses títulos trazem um plurissignificação aos poemas, permitindo diversas leituras a cada um deles. Leia-se o belo "Os comboios que vão para a Antuérpia" (título homônimo a um conto de Helberto Helder, escritor português contemporâneo, no celebrado livro "Os passos em volta"): Ba- ratas e ratos ocultos no des vão de alguma parede) roem os mecanismos da noite e estabelecem sua sede na sede que nunca cede. Ainda não é cedo. Há outros exemplos: "No fim da estação regressam iguais/ com histórias diferentes" (título extraído do poema "Ainda não é tarde", de Rui Pires Cabral). Trata-se de um dos mais belos do livro de Charles Marlon. Inspirado, mesmo porque, na sua vida acadêmica, Marlon estuda o referido autor. Destaque ainda para (Sem título III), "Ad Hoc" e o belíssimo "Beta", da segunda parte do livro, cujo nome é também um verso de Whitman. Charles Marlon é também autor de "Poesia LTDA", lançado pela Patuá em 2012.
