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    O louco de palestra - e outras crônicas urbanas

    Vanessa Barbara

    Companhia das Letras
    2014
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9788535924619
    Português Brasileiro
    3.9
    65 avaliações
    Leram94Lendo2Querem90Relendo0Abandonos2Resenhas5
    Favoritos6Desejados90Avaliaram65

    A capacidade de observação, a inteligência e o humor de uma das melhores cronistas da nova geração. Vanessa Barbara tem uma escrita peculiar. Com iguais doses de graça e delicadeza, humor e algum escárnio, ela produz textos que parecem ocupar um lugar movediço e intermediário entre a reportagem, a crônica, o ensaio e a antropologia. Em O louco de palestra estão reunidos alguns dos melhores e mais deliciosos textos da jovem escritora brasileira. Originalmente publicados em jornais (como Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo) e revistas (como piauí), as crônicas versam sobre o bairro paulistano do Mandaqui, seus tipos peculiares e sua animada vida social, hilariantes "resenhas" de linhas de ônibus, comentários televisivos, observações sobre o urbanismo desmazelado de nossas cidades e - como no caso da crônica que dá nome ao livro - a cristalização de um tipo que sempre existiu, mas que graças às palavras de Vanessa Barbara alcançou a imortalidade: o "louco de palestra", aquele sujeito meio abilolado que intervém, comenta e causa em palestras, conferências, debates, colóquios. O texto, publicado na revista piauí, é hoje um pequeno clássico da nova crônica brasileira. Numa das mais delicadas crônicas do livro (não por acaso escrita à la Rubem Braga), pode-se ler: "Queria escrever um texto bonito, algo que a moça das verduras pudesse levar consigo no ônibus após um dia sem couves, e que ela fosse reler de mansinho e recortar para as amigas". Com O louco de palestra, Vanessa Barbara chegou lá.

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    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich04/09/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Vanessa Barbara, cronista que anda de ônibus

    O caso de amor de Vanessa Barbara com o transporte coletivo não é passageiro – é ela mesmo quem faz o trocadilho. Em 2008, ela produziu um trabalho jornalístico sobre o Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo, que acabou publicado sob o título “O livro amarelo do Terminal” (Cosac Naify) e com o qual ganhou o Prêmio Jabuti de reportagem no ano seguinte. Desde então a escritora, que mal passou dos 30 anos, continua andando de ônibus por aí. E escrevendo a respeito, coisa rara mesmo entre os cronistas, que aparentemente ascenderam de condição social e não precisam mais fazer uso de transporte coletivo. Ganham em comodidade, mas perdem uma gama fantástica de assuntos que nascem em meio à diversificada fauna que continua indo de Volvo para lá e para cá. Acrescente-se que Vanessa Barbara é paulistana e sabe muito bem que não há nada mais típico na cidade do que ônibus lotado. E foi de tanto viajar nessas condições por São Paulo que ela arrumou temas para boa parte dos textos de “O louco de palestra e outras crônicas urbanas” (Companhia das Letras), possivelmente o livro mais hilariante do gênero no ano. É verdade: Vanessa tem a habilidade de escrever as coisas mais engraçadas sem deixar transparecer o menor sorriso. Das precárias condições que são oferecidas no transporte público da cidade, a cronista se vinga com o gracejo, a galhofa, o exagero e o absurdo. Os letreiros dos ônibus que ninguém entende a lógica, os itinerários mais improváveis, a televisão instalada para distrair os passageiros, as maneiras de passar o tempo durante a viagem, as conversas que escuta dos seus companheiros de infortúnio, tudo é captado por uma cronista atenta e que já escrevia bem desde muito cedo, como se comprova no impressionante “Um conto do 701U”, feito quando tinha apenas 21 anos. É dura a vida de quem não tem carro. Foi pensando nessas dificuldades que Vanessa chegou a criar uma Sociedade Paulistana dos Sem-Carro (SOPASECA). Porque quem anda de ônibus também anda muito a pé e, no caso das ruas de São Paulo, isso é semelhante a jogar Pitfall. É dessas agruras a matéria de alguns dos textos mais divertidos do livro. Que, aliás, já começa muito bem, com a cronista reconstruindo, de forma bem-humorada, a lógica do Mandaqui, o distrito em que mora, na zona norte de São Paulo, com todas as suas ruas e personagens pitorescos. Vanessa também gosta muito de imaginar, de viajar pelo absurdo, coisa que sempre gera textos cômicos, como aquele em que o próximo Papa é escolhido através de um reality show, ou ainda “A marcha dos satisfeitos”, “Unidos do lacrimogênio” e “A nova geração saúde”, todos tendo como motivação os protestos de 2013 no Brasil. Nessa categoria, uma das melhores crônicas é “Promessas de ano novo”, em que Vanessa visualiza como seria o mundo se todas as pessoas de fato cumprissem as promessas de mudança que fazem no dia da virada. Entre aquilo que chama de “crônicas urbanas”, Vanessa Barbara incluiu alguns textos que não são exatamente próprios do gênero, como o ensaio de 13 páginas que dá nome ao livro (uma divertida análise sobre aqueles sujeitos que erguem a mão durante uma palestra e não falam coisa com coisa), além de “Papai Noel armênio e egípcio de quipá” (9 páginas em que reconstrói cenários e tipos do bairro do Bom Retiro) e “Uma em um bilhão” (uma espécie de reportagem em primeira pessoa, com 15 páginas, sobre a sua viagem literária a Macau, China e Hong Kong). Na parte final, há alguns textos que envolvem Londres durante as Olimpíadas de 2012 e o livro se encerra com duas crônicas escritas a la Rubem Braga e Paulo Mendes Campos – pois Vanessa, além de cronista, é entusiasta do gênero e dos seus autores clássicos, tendo sido capaz até de incluir alguma coisa sobre a crônica durante uma das exóticas palestras de que participou no sudeste asiático. É um livro que contribui para mostrar que, a despeito dos grandes escritores do passado, a crônica continua viva, inteligente e próxima ao leitor – e, para nossa sorte, a moça mal passou dos 30 anos.

    6 curtidas

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    Avaliações

    3.9 / 65
    • 5 estrelas26%
    • 4 estrelas51%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%
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    Vanessa Barbara

    Vanessa Barbara nasceu em São Paulo, em 1982, e mora no bairro do Mandaqui. É jornalista, tradutora e escritora. É editora do periódico A Hortaliça, respeitado veículo de imprensa que em 2012 completará dez anos de existência. Escreve para a revista Piauí, onde costuma publicar reportagens sobre hipnose, telemarketing, astrologia, ioiô e anões. É tradutora e preparadora da Companhia das Letras e colunista do Blog da Companhia. Foi cronista do caderno Metrópole do jornal O Estado de S. Paulo em 2008-2009. Hoje é cronista da Folha de S.Paulo, onde assina uma coluna semanal sobre televisão.

    9 Livros
    41 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Vanessa Barbara