Virtuosas e perigosas - As mulheres na Revolução Francesa

    Tania Machado Morin

    Alameda Casa Editorial
    2013
    367 páginas
    12h 14m
    ISBN-13: 9788579392023
    Português Brasileiro

    Em 5 de outubro de 1789, as vendedoras de peixe de Paris e outras mulheres das camadas populares, acompanhadas por soldados da Guarda Nacional marcharam até Versalhes para protestar contra a escassez do pão. A crise era de subsistência, mas o tom, político. O rei Luís XVI se recusava a aceitar os decretos aprovados pela Assembleia Nacional no mês de agosto, entre eles a importante Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Indignadas com a atitude do rei e exasperadas pela falta de alimentos básicos, cerca de sete mil mulheres se fizeram ver e ouvir de forma contundente, exigindo providências do rei e dos deputados da Assembléia. Na manhã seguinte, aos brados de a Paris! a Paris! pressionaram o monarca a abandonar o Palácio de Versalhes e a se mudar para a capital. Assim, a multidão retornou a Paris vitoriosa, escoltando a carruagem da família real. Os homens tomaram a Bastilha, as mulheres tomaram o Rei! , disse o historiador Jules Michelet. Uma semana depois, a Assembleia Nacional também deixou Versalhes e se es eleceu em Paris, que voltou a ser o centro político do país. A intervenção feminina contribuiu para mudar o curso da Revolução Francesa. A Marcha a Versalhes marcou a entrada dramática das mulheres na cena política nacional. Foi uma iniciativa política sofisticada, porque, com a concentração do poder em Versalhes, o rei ficava longe da pressão popular e mais exposto às influências da rainha e da corte, e se utilizava do direito de veto, que ainda possuía no início da Revolução, para impedir que as reformas fossem realizadas. Ao trazerem Luís XVI para Paris, as mulheres mudaram o centro de gravidade do processo revolucionário e propiciaram à população da capital um novo protagonismo , diz Tania Machado Morin. A Parte I deste livro trata da atuação de três grupos emblemáticos de mulheres- as mães republicanas, as militantes políticas e as mulheres-soldados. A Parte II do livro contém 43 ilustrações explicadas que nos ajudam a compreender a sociedade francesa daquela época. Vale a pena redescobrir a trajetória daquelas revolucionárias.

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    Mariana Gaia01/02/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Virtuosas e Perigosas

    A Revolução Francesa foi um marco histórico de diferentes formas, ela não só destitui um governo que há muito tempo já se mostrava falho, mas colocou voz em um povo que estava cansado de tantas atrocidades. Em meio essas vozes, uma em especial se fez presente, as vozes femininas. Enquanto boa parte dos homens estavam interessados em poder, as mulheres francesas estavam preocupadas com o alimento que não chegava até sua mesa, ao acesso à uma vida digna pra seus, e isso, foi estopim para irem às ruas e gritar por uma vida mais justa e somado a isso, por uma liberdade que até então não tinham. Mulheres na França e assim como no mundo todo não eram vistas como cidadãs, tinham obrigações como muitos, mas sem direitos. Alia-se isso mais a falta de comida em casa, qual será a resposta? Na época da Revolução a palavra feminismo ainda não existia, podemos deixar claro aqui, inclusive, essas mulheres revolucionárias eram conservadoras no que concerne ao estilo de vida, ou seja, queriam uma família nos moldes: mulher-mãe-esposa, mas ainda sim queriam servir um ideal, ter liberdade de escolha e lutar por espaços que até então eram majoritariamente masculinos.

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