Discorrendo sobre a lingüística textual desde seus conceitos básicos até chegar às especificidades de cada estudioso do tema, as autoras oferecem aos leitores uma obra bastante rica e atual, por meio da qual vemos as questões mais polêmicas serem debatidas, nos dando o privilégio do conhecimento de diversos pontos de vista para, dentre eles, escolhermos aqueles em que queremos nos aprofundar. Para tal, contribui uma vasta bibliografia exposta ao final do livro.
A princípio, enfoca-se a história do surgimento das gramáticas textuais, mostrando-se as diferentes abordagens teóricas de que vêm sendo objeto, bem como as diferentes definições de texto e discurso. A necessidade de sua criação justifica-se, para a maioria dos lingüistas, pela existência de propriedades gramaticais além dos limites da sentença e, ainda, pelo fornecimento de uma base interdisciplinar fundamental que abarca outras teorias sobre o estudo do discurso, como a estilística, a retórica, a poética, etc.
No segundo capítulo, são abordadas mais detalhadamente as duas primeiras disciplinas citadas, demonstrando-se sua relevância no desenrolar dos estudos sobre o texto e o discurso. Destaca-se, além delas, o formalismo russo como precursor da lingüística textual. Lingüistas estruturalistas que deram início aos estudos nessa área, indo além do enunciado, como Hjelmslev, Harris, Pike, Jakobson, Benveniste, Pêcheux e outros também são lembrados. Entre eles já se percebem certos contrastes, embora todos mantenham uma linha bem próxima de pensamento.
Por fim, são mostrados meticulosamente os trabalhos de diferentes autores envolvidos no tema, uns estruturalistas e outros gerativistas. Propõem-se modelos de gramáticas textuais – como o fazem Isenberg, Lang, Dressler, Petöfi e Van Dijk – ou apenas realizam-se pesquisas das propriedades específicas do texto – linha de que são representativos Halliday, Ducrot e Weinrich.
Mesmo com toda a diversidade de crenças encontrada nas muitas teorias expostas, fica claro o empenho comum em explicar fenômenos da língua que somente podem ocorrer para além do enunciado. Daí a recorrência da pragmática nos estudos apresentados e a ligação essencial entre ela, a sintaxe e a semântica. Desvela-se também para o leitor a necessidade de um estudo interdisciplinar da linguagem, pois presenciamos nas gramáticas de hoje regras inaplicáveis às reais situações de enunciação, deixando-se muito a desejar.