Casamento e Sexualidade - A construção das diferenças

    Helen Ulhôa Pimentel

    Editora Mulheres
    2012
    206 páginas
    6h 52m
    ISBN-13: 9788580470154
    Português Brasileiro

    Apresentado inicialmente como resultado de uma pesquisa de mestrado orienta pela Dra Tânia Navarro Swain, o trabalho de Helen Ulhôa Pimentel, por sua inovação especialmente teórico-metodológica no campo da História, inspirou vários outros trabalhos. Agora a autora nos brinda com sua publicação em livro pela Editora Mulheres. Partindo de uma rica e variada documentação, a autora perscruta e analisa os discursos normalizadores do casamento e da sexualidade no Brasil do século XVIII, perseguindo-os desde a sua elaboração no direito civil e canônico, passando por uma difusão, através da moralista Nuno Marques Pereira, em seu Compêndio Narrativo do Peregrino da América: e, por fim, sua aplicação pelo Tribunal Eclesiástico na "distante" Vila do Paracatu do Príncipe. A inovação e originalidade do estudo de Helen estão, sem dúvida, na forma como ela recorda, concebe e interroga suas fontes, bem como os dispositivos analíticos que utiliza: imaginário, representação social, gênero, poder e cotidiano. A abordagem metodológica, que norteia a obra, ainda pouco explorada nos trabalhos historiográficos, alia procedimentos da Análise do Discurso, da Crítica Feminista e o princípio de inversão de evidências proposto por Michel Foucault no projeto de uma história genealógica. Dessa forma, os documentos analisados são entendidos como práticas discursivas que se imbricavam na produção de saberes sobre o casamento, sua valorização e a normalização da vida cotidiana dos colonos, especialmente das mulheres. Nessa perspectiva, os documentos não refletem o real, mas, como um outro acontecimento, eles o instituem, produzem efeitos de verdade, fixam um imaginário. Ao mesmo tempo, assim percebidos, eles abrem possibilidade para identificar e perceber as formas de resistências surgidas. Como demonstra a autora, a quantidade de crimes relacionados com a sexualidade, com o casamento e com os atos ilícitos, elaborados e elencados nas Ordenações Filipinas, aponta "para um contra-imaginário que funcionaria como elemento dinamizador do processo social. Indica, sobretudo, a instauração da sexualidade como eixo em torno do qual se articulam as relações sociais e as demarcações normativas e por que não as identidades sociais". Vemos, portanto, emergir da documentação jogos de poder que estabelecem diferenciações (entre o lícito e o ilícito, o aceitável e o não aceitável, entre os respeitáveis e os não respeitáveis, entre os civilizados e os não civilizados) e hierarquias, mas também formas variadas de resistências. Poderes e resistências que trazem indícios de práticas cotidianas usuais.

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